
O dia amanheceu
Perdido no escuro
Por entre os estilhaços
Que a noite devolveu.
O dia amanheceu
Com a contagem sangrenta
Dos rostos fardados
Que o mundo perdeu.
O dia amanheceu
Com o ruído das balas
Trazidas pela cegueira
De alguém que enlouqueceu.
O dia amanheceu
Com medo de ser perseguido
Para combater numa guerra
Que não é sua e não a escolheu.
O dia morreu.
tua poesia trouxe-me um verso de uma letra de Fernando Brant para música de Milton Nascimento – Conversando no bar -“ Morri a cada dia dos dias que eu vivi…”. Nos últimos tempos tem sido assim: a morte a cada dia por absolutamente nada. Poder, ganância, autoritarismo…isso não vale nada para a vida. Triste nossa sina de testemunho da nossa destruição. O dia, Fernanda, nascerá com pessoas como você. E iremos sobreviver à guerra.
GostarLiked by 2 people
Fernando, é isso mesmo, morte e sofrimento diários por nada, uma destruição absurda. Sensível e bonita a sua conexão entre o poema e a música!
Haja esperança de acreditar nas palavras, na mensagem que poderá ser, de algum modo, conforto no amanhecer de alguém.
Obrigada, Fernando, pelas palavras que acrescentou ao meu pensamento!
GostarGostar
Em poesia ou em silêncio… a par dos que sofrem e morrem absurdamente todos os dias, morre também um pouco da nossa esperança por algum bom senso, equilibrio e respeito.
E isso é triste.
GostarLiked by 2 people
.. E isso é triste
Qualquer palavra por mais sentida que seja é pequena face a tamanho sofrimento e perda.
Obrigada, Dulce 🌻
GostarLiked by 1 person
Quanta profundidade num breve poema!
GostarLiked by 1 person
Muito obrigada, Estevam.
GostarLiked by 1 person
Breve como um amanhecer em guerra.
GostarLiked by 2 people
A brevidade com que se espera o terminar da guerra, das guerras…
GostarLiked by 2 people
💝
GostarLiked by 1 person