Amanhecer em guerra

O dia amanheceu
perdido no escuro
por entre os estilhaços
que a noite devolveu.

O dia amanheceu
com a contagem sangrenta
dos rostos fardados
que o mundo perdeu.

O dia amanheceu
com o ruído das balas
trazidas pela cegueira
de alguém que enlouqueceu.

O dia amanheceu
com medo de ser perseguido
para combater numa guerra
que não é sua e não a escolheu.

O dia morreu.

9 thoughts on “Amanhecer em guerra

  1. tua poesia trouxe-me um verso de uma letra de Fernando Brant para música de Milton Nascimento – Conversando no bar -“ Morri a cada dia dos dias que eu vivi…”. Nos últimos tempos tem sido assim: a morte a cada dia por absolutamente nada. Poder, ganância, autoritarismo…isso não vale nada para a vida. Triste nossa sina de testemunho da nossa destruição. O dia, Fernanda, nascerá com pessoas como você. E iremos sobreviver à guerra.

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  2. Fernando, é isso mesmo, morte e sofrimento diários por nada, uma destruição absurda. Sensível e bonita a sua conexão entre o poema e a música!
    Haja esperança de acreditar nas palavras, na mensagem que poderá ser, de algum modo, conforto no amanhecer de alguém.

    Obrigada, Fernando, pelas palavras que acrescentou ao meu pensamento!

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