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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Bem-vindos, 51

Todo o meu corpo é um poema
que clama o meu nome
e sussurra dentro da minha alma.
Todos os silêncios me beijam
e todas as palavras me abraçam.


O dia nasceu para mim e convida-me a festejar…
A olhar para dentro e perceber que celebrar a vida não se trata de acrescentar dias aos anos que temos, mas de acreditar na profundidade com que a vivemos, através da delicadeza das palavras, da força dos afetos, da honestidade dos gestos e da beleza das pequenas coisas.

O tempo deixa muitas marcas. Nem sempre há uma primavera a florescer dentro de nós. Por vezes, sentimos um inverno tempestuoso, mas, mesmo assim, há sementes que vingam e despertam. Quando as nossas raízes são fortes, ajudam a sustentar esse equilíbrio.

Abraço-me inteira e continuo a levar comigo todas as imperfeições que fazem parte de mim…

Hoje é dia de celebrar!
Abro o meu presente e partilho-o com os que caminham a meu lado, com os que já não percorrem o mesmo caminho, mas continuam a habitar o meu coração, e com todos os que vão ficando…

Estou grata e a melhor forma de agradecer é continuar a sentir, a amar, a escrever e a viver com verdade.

Bem-vindos, 51.

Prenderam as emoções

A tristeza saiu sem demora.
Decretado o fim da sua pena,
foi embora.

Estava livre,
mas, mesmo em liberdade,
arrastou o rosto pesado,
cambaleando sem destino,
até se deixar cair
por aí, em qualquer lado…

A cela ficou despida,
comprometida
em receber uma nova reclusa,
talvez menos intrusa.

Quem sabe a alegria,
tantas vezes mal-entendida,
pela ousadia que veste
ou pelo olhar que contagia.

Terá sido condenada
por ousar rir,
ou por viver
onde ninguém a percebia.

Prenderam as emoções.
Alguém compreenderá as razões?

Entre o tudo e o nada

Entre o tudo e o nada
estou eu,
não sozinha,
mas acompanhada
pelo presente do verbo ser,
se é que me faço entender…

Entre o tudo e o nada
estou eu,
com o presente da palavra amor,
tudo o que sei oferecer.

Será este presente a cura
para a perfeição que se procura?

O lugar que ficou

Revisito um lugar,
não um lugar qualquer,
a memória.

Vejo o rosto que brincava
entre os passos
onde moravam todos os afetos.

A infância,
esse lugar inocente
onde se falavam todas as línguas,
onde cabiam todas as brincadeiras,
onde as portas estavam sempre abertas
ao tempo e para o tempo…

Hoje sinto que esse lugar se afastou.
Talvez pela idade,
não sei,
simplesmente na memória ficou…