
Quero muitas páginas em branco
onde possam caber as palavras
onde as vozes tenham lugar
onde os pontos se façam calar.
Os versos precisam de espaço
onde a poesia se deite
se dispa
e se possa admirar…
Todo o meu corpo é um poema
que clama o meu nome
e sussurra dentro da minha alma.
Todos os silêncios me beijam
e todas as palavras me abraçam.
O dia nasceu para mim e convida-me a festejar…
A olhar para dentro e perceber que celebrar a vida não se trata de acrescentar dias aos anos que temos, mas de acreditar na profundidade com que a vivemos, através da delicadeza das palavras, da força dos afetos, da honestidade dos gestos e da beleza das pequenas coisas.
O tempo deixa muitas marcas. Nem sempre há uma primavera a florescer dentro de nós. Por vezes, sentimos um inverno tempestuoso, mas, mesmo assim, há sementes que vingam e despertam. Quando as nossas raízes são fortes, ajudam a sustentar esse equilíbrio.
Abraço-me inteira e continuo a levar comigo todas as imperfeições que fazem parte de mim…
Hoje é dia de celebrar!
Abro o meu presente e partilho-o com os que caminham a meu lado, com os que já não percorrem o mesmo caminho, mas continuam a habitar o meu coração, e com todos os que vão ficando…
Estou grata e a melhor forma de agradecer é continuar a sentir, a amar, a escrever e a viver com verdade.
Bem-vindos, 51. ❤

A tristeza saiu sem demora.
Decretado o fim da sua pena,
foi embora.
Estava livre,
mas, mesmo em liberdade,
arrastou o rosto pesado,
cambaleando sem destino,
até se deixar cair
por aí, em qualquer lado…
A cela ficou despida,
comprometida
em receber uma nova reclusa,
talvez menos intrusa.
Quem sabe a alegria,
tantas vezes mal-entendida,
pela ousadia que veste
ou pelo olhar que contagia.
Terá sido condenada
por ousar rir,
ou por viver
onde ninguém a percebia.
Prenderam as emoções.
Alguém compreenderá as razões?

Revisito um lugar,
não um lugar qualquer,
a memória.
Vejo o rosto que brincava
entre os passos
onde moravam todos os afetos.
A infância,
esse lugar inocente
onde se falavam todas as línguas,
onde cabiam todas as brincadeiras,
onde as portas estavam sempre abertas
ao tempo e para o tempo…
Hoje sinto que esse lugar se afastou.
Talvez pela idade,
não sei,
simplesmente na memória ficou…