Na memória do meu rosto

Havia na memória do meu rosto
uma seara de trigo
onde o meu cabelo
se entrelaçava,
corria reluzente
entre os raios de sol
que o pintavam de dourado.

Olho-me agora ao espelho
sem apagar a memória do meu rosto.
Vejo fios brancos de linho
plantados
pelos campos que amadureceram
e encontro, na rebeldia de outros tempos,
a serenidade dos meus cabelos
livres e repousados.

3 thoughts on “Na memória do meu rosto”

  1. Que poema tão bonito e a fazer-me tanto sentido. Os fios brancos vão ganhando espaço num espaço habituado aos castanhos e eu a aprender a admirá-los, afinal, são parte de mim. 💝

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