
Soltam-se as palavras
Cansadas de estarem mudas
Entre o ruído do mundo.
Não muito tempo depois,
Recolhem-se
Verso a verso,
Desejosas do silêncio,
Do casulo onde habitam…

Desconheço a sintaxe
Do corpo que respira
Por entre as folhas despidas
Deste outono.
Contorno o céu
Com o mesmo olhar
Que percorre os recantos
Da minha alma.
A terra acompanha o saltitar
Das chuvas que caem
E lavam a poeira assente no pensamento.
Cai nas minhas mãos
Um pouco da luz
Que escurece os dias deste outono.
Pego no meu corpo
E entrego-o ao recomeço…