
Agosto
sabe a mar
a beijos salgados
olhares vastos
abraços quentes
palavras frescas
conversas tardias
poemas leves
cabelos ao vento
sol no olhar
passos sem pressa
sorrisos abertos
fins de tarde a passear.
Agosto
tem gosto (a)mar…

Sentimos o desfilar
de mês a mês a vida encantar,
e nesta viagem, junho acaba de chegar
de janela aberta
para desabrochar os sentidos
e receber o verão que não tarda a entrar.
Junho transporta o poeta e a poesia
que dá nome ao dia de Portugal,
pelas ruas encontramos a alegria
dos arraiais e festas populares
o saber manter a tradição,
a sardinhada, o vinho e o pão.
Abraço junho de modo especial
dá vida aos anos de vida da minha mãe,
à tranquilidade de mais um aniversário passar
e ter como presente a família a festejar.

E com o ar leve e perfumado
assim chega março
confiante e despreocupado.
Traz o aroma da primavera
o cheiro a terra lavrada
rebento de vida que irá ser plantado
amor que brota no pousar dos dias,
março soma afetos e alegrias
soa a poemas, poetas e poesias,
manhãs despertas e tardes vadias
olhar que se estende iluminado
em cada rosto de mulher, ser amado.
Assim se abrem as portas para a tua chegada
que o vento suavize a tua caminhada…

E sem mais demoras
entre os dias e as horas
o coração despede-se de janeiro
e já bate à porta fevereiro
que ainda traz a luz acesa de inverno
mas bem mais frágil e terno
que o seu costume habitar.
Pressinto um fevereiro confidente
em todas as frestas há sussurros de paixão
as madrugadas serão lentas
e o amor será o fruto do coração.
Será fevereiro…

Embebida na luz que me rodeia
aconchego-me no amor
no presente com que a vida me presenteia
na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.
Pousa no meu colo um novo ano
deixo algumas memórias para trás
traço novas marés no oceano
comigo segue a melodia do mar e da paz.
Abro o coração e deixo as palavras entrar
abrigo-me no silêncio saboreando poesia
dou ao olhar liberdade para voar
recebo janeiro semeando um sorriso em cada dia.

Chegou dezembro
coberto de frio
adivinhando o inverno
no alto do seu ar pomposo
não se sentindo menos majestoso
por ser o último a chegar.
Traz o aconchego do lar
abraça histórias do ano prestes a findar
sem tristeza de ver as folhas caindo
abre espaço para ver a família reunindo.
São dias vestidos de luz e união
dezembro completa-se com muito amor no coração.

Chegou dezembro,
frio e molhado.
Procura um regaço,
um lugar aconchegado
onde aquecer o tempo
para sentir de novo a pele
no corpo pelo vento moldado.
Chegou dezembro,
mas a casa está vazia,
fechada e sem companhia.
Não há quem a venha habitar,
faltam abraços para reconfortar.
O ano está cansado e triste,
a pandemia não o deixa sossegar.

De sorriso doce,
com o rosto amadurecido
e o corpo bem vestido,
apresenta-se agosto,
que nasce leve e colorido
e espera ser bem-sucedido!