O lugar que ficou

Revisito um lugar,
não um lugar qualquer,
a memória.

Vejo o rosto que brincava
entre os passos
onde moravam todos os afetos.

A infância,
esse lugar inocente
onde se falavam todas as línguas,
onde cabiam todas as brincadeiras,
onde as portas estavam sempre abertas
ao tempo e para o tempo…

Hoje sinto que esse lugar se afastou.
Talvez pela idade,
não sei,
simplesmente na memória ficou…

Deixaste tanto do teu amor

…Deixaste tanto do teu amor

Já não pouso no teu regaço
já não tenho o teu colo
o teu abraço.

Já não vejo o teu olhar
o teu sorriso
o meu porto de abrigo.

Já não sinto as tuas mãos
o teu carinho,
o calor do teu ninho.

Deixaste tanto do teu amor
a tua doçura continua à porta
sempre que me vê chegar,
ainda colho no teu jardim
a flor que guardavas para mim,
a luz do teu ser
é vida que em nós vai permanecer.

Tenho em mim tanto de ti
… A tua menina

No voo da Saudade

Sinto um vazio,
um vazio partido
em silêncio.
Um silêncio que esconde
a luz,
a luz que vive na escuridão
da saudade,
a saudade que cresce com o tempo,
esse tempo que te levou
mas não te afastou de mim.

O meu amor por ti ainda vive
como um voo que pousou,
até o meu voo ter fim…

Para ti,
meu querido irmão.

Na tua ausência

Pelo tempo que se faz sentir
quero que saibas
que na tua ausência
não há sol,
as manhãs nascem viúvas
enterradas em solidão.

As palavras são escassas,
e as tardes escondem-se nas chuvas
nas horas que trazem a escuridão.

Quero que saibas
que a tua presença
traz aos dias a diferença
do tempo que se faz sentir…

Ceifar a saudade

Os dias vão passando,
o corpo passeando,
mas o amor reclama a distância…

Os passos que trazem o teu olhar
até ao meu, cansado de esperar,
pelos beijos que em mim semeias
e pelos gestos que me dilatam as veias,
sempre que ceifamos a saudade
entre os dias que vão passando
e o amor que vamos debulhando…

Será Saudade?

Será saudade
quando o coração vai destapando a sombra
e mostrando que as lágrimas
deixaram de cair,
mas que o teu espaço não deixou de existir.
Tal como o rio que corre para o mar
o meu amor por ti não se deixa afundar.

Será saudade
as lembranças que vivem dentro do tempo
e que o tempo faz crescer nesta linha de vida,
mostrando que apesar de não estares aqui
não deixamos de nos ver,
só morres quando a minha memória desaparecer.

Para ti,
meu querido irmão.

Entre o tempo e a saudade

E o tempo passa aceleradamente
e a saudade fica lentamente
entre o vazio e a dor que ainda vence
nada preenche o espaço que te pertence.

Somos feitos de vida para a vida
remendo os dias para saciar a tua partida
tantas vezes o corpo é uma colorida fachada
de uma sombria tristeza albergada.

Não há palavras que curem uma despedida
há momentos que cicatrizam a ferida
a raiz do nosso amor não deixará de crescer
para mim o teu sorriso jamais irá falecer.

Para ti,
querido irmão

Sempre guardado em mim

Porque a morte abre uma ausência
um vazio difícil de sustentar
cicatrizes que ficam
amarradas ao corpo
sem remédio para curar
só o tempo para remediar
a ferida que parece nunca mais sarar.

O teu espaço será sempre guardado em mim.
Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração
e tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.

Para ti,
querido irmão.

Esvaziar a saudade

Nestes dias curtos
que vestem o outono
todos os espaços parecem vazios,
ausentes.

O olhar espelha silêncio,
melancolia.

Eu só quero encontrar um lugar,
quem sabe um rosto
ou um poema,
onde esvaziar a saudade
e sentir de novo a luz
das nossas mãos se voltarem a tocar.