
São pálidas as noites
vazias as horas
que sussurram
por entre os olhos cerrados
e as sombras deitadas
sob o corpo
coberto pelos sonhos
acordados,
que teimam em não adormecer
até ao romper
da madrugada.

Quando o meu olhar
Pisa a vontade
Que tenho em chegar
Onde os sonhos me deixam sonhar
Não há ponto que ponha fim
Ao que habita dentro de mim…

Gosto de sentir o sono chegar
Abro a janela
Para os sonhos poderem entrar
Caminho pela noite dentro
Em histórias que me vêm buscar
Andamos de lugar em lugar
Cúmplices da escuridão,
Desembrulhamos o coração
E as palavras seguem o luar
Despidas e soltas
Como se fossem estrelas
A brilhar de tanto amar…
Estremeço com o amanhecer
Mas o olhar ainda sonha
Fecho a janela
Para o dia não levar os sonhos
Que guardo para te contar
Sinto que a vida passa a voar
Como se fossem estrelas a brilhar…

A cidade amanhece
O silêncio que a cobria desaparece
Abrem-se as portas
Para mais um dia de memórias
Relato vincado pelos rostos
Que cedo carregam no tempo
O compromisso de vestir a missão
O ofício que preenche o coração.
A cidade amanhece
O azul do céu timidamente aparece
Descobre-se a traça
A fachada que guarda as histórias
O som dos passos madrugadores
Que corajosamente abrem a rotina
A vontade de não perder a construção
Que une o sonho e a razão.
A vida acontece
Em cada olhar que amanhece…

Habito no silêncio da noite, quando as pálpebras descobrem o adormecer na penumbra do anoitecer.
O sono descansa entre o repouso do corpo e a imaginação dos sonhos que atravessam a luz através da escuridão que bate na vidraça da janela.
Sinto a sombra da lua que dorme mesmo ao meu lado, no aconchego do céu estrelado.
Vagueamos no mesmo vagar e tenho fases em que o meu pensamento se perde algures no seu luar.
Guardo os aromas que colho durante o dia e aguardo o anoitecer para partilhar este respirar.
Contemplo a cumplicidade desta vivência, deixo as palavras soltas pelo céu e sinto o reluzir das estrelas que se unem para apanhar os segredos que escapam do nosso conversar.
Transporto a essência da noite para o silêncio do meu acordar…

Perdi a noite dentro de ti
Adormeci o meu corpo no teu
Não sei quantos sonhos vivi
Acordei o teu dia ao lado meu.
Guardei o meu amor dentro de ti
Cobri a minha pele na tua pele
Não sei quantos lugares percorri
Para viver a história deste papel.
Agora que descobri o caminho
Sossego o meu coração
Sonho nessa direção…

Neste deserto povoado
Vazio,
Ecoa um silêncio agitado
Encoberto
Por um respirar sobressaltado
E um olhar desbotado
Que se estende na multidão
Carregado de solidão.
Ajustam-se os corpos
Cansados,
Sugados pelas horas
E pelos dias alimentados
Onde a memória se arrasta
Para não perder o caminho
Sendo a vontade de envelhecer
Destino constante de viver.
Somos a pele que nos abraça
Num ritmo que por vezes fracassa
Sem quebrar o rumo
Somos os sonhos que sonhamos
Qualquer a idade que tenhamos!

Despem-se os sentidos
No seio das palavras
Entre os poetas
Que se encontram perdidos
À procura de um poema
Onde repousar a sua nudez
Serão sonhos?
Talvez…

Acordo o olhar
E o que vejo é um lugar
Que acolhe todos os sonhos
Que tenho para sonhar.
Abro um sorriso
E começo a caminhar
Passo a passo
Incerta de todos agarrar.
Ainda assim,
A caminhada é constante
E tudo que parece distante
Fervilha dentro de mim
Nesta vontade de vestir a vida
Alimentar-me dos sonhos
Como ponto de partida.

… Pela vontade de não querer viver pela metade
Encaixo os sonhos na minha realidade
Balanço entre a ilusão e a razão…
Ainda que
Seja apenas um sonho
Agarro a tua presença
Entre suspiros,
Sinto-te dentro de mim
Tomo conta das horas
Para que a noite não tenha fim.
Quando o amanhecer
Me vier acordar
Vou guardar-te no meu coração
Até ao anoitecer
Para quando adormecer
Continuar a sonhar.
Não vou deixar o sono
Roubar-te
Simplesmente assim…