Para ti, mãe

Para ti, mãe,
que gostavas tanto da primavera…

Lembro-me de esperares pela primavera
para partires.
Talvez
quisesses levar esses dias
que nascem em silêncio
e, passo a passo,
se vestem de cores e frescos odores.

Lembro-me de esperares pela primavera
para partires.
Talvez
para que as nossas lágrimas
fossem rega para as flores do teu jardim.

Como tu gostavas da primavera,
de mexer a terra e dela colher amor,
amor que semeavas com sabedoria
e simplicidade…

Relembro-te,
entre a saudade que dói,
e a saudade que se veste de vaidade
ao falar de ti…
e ao sentir que vives
em todas as minhas primaveras.

Para sempre,
a tua menina.

Deixaste tanto do teu amor

…Deixaste tanto do teu amor


Já não pouso no teu regaço

já não tenho o teu colo

o teu abraço.

Já não vejo o teu olhar

o teu sorriso

o meu porto de abrigo.

Já não sinto as tuas mãos

o teu carinho,

o calor do teu ninho.

Deixaste tanto do teu amor

a tua doçura continua à porta

sempre que me vê chegar,

ainda colho no teu jardim

a flor que guardavas para mim,

a luz do teu ser

é vida que em nós vai permanecer.


Tenho em mim tanto de ti

… A tua menina

Mulher bonita

nenufarMulher bonita, porque choras?
Trazes no rosto o luto
Das roupas escuras que vestes,
A tua expressão acusa cansaço
Pelas batalhas difíceis que tivestes.
És guerreira, conquistaste o teu espaço
Atenta e dedicada, sempre mantivestes
Os filhos no aconchego do teu regaço.
Desconheces o que é a infância
Fizeram de ti mulher em vez de criança.
Cresceste depressa e a longa distância
Os valores humanos são a tua melhor herança.
As tuas mãos, hoje envelhecidas
Foram, em tempos, o amparo das nossas feridas.
As rugas que figuram no teu rosto
São a marca da tua essência
E apesar de alguns momentos de desgosto
Nunca sentimos a tua ausência.
A tua raça é forte
És uma pessoa respeitada e admirada,
Quantas vezes o único suporte
De todos por quem és amada.
Mãe!