
Guardo o silêncio da solidão
Antes que o barulho se alastre
E se aloje no coração
Adormeço a tristeza
Antes que o manto desperte
E acorde a minha leveza
Recolho as palavras perdidas
Antes que se sintam órfãs
E se isolem deprimidas
Apago a sombra da minha voz
Antes que fuja a poesia
E os sonhos acabem sós
Limpo o corpo do cansaço
Antes que se estenda pela alma
E se aproprie do meu espaço
Costuro as minhas memórias
Antes que o tempo as perca
E não as conte como histórias
Revelo o retrato dos dias
Antes que as cores desbotem
E a rotina me roube as alegrias
Antes que a brisa me leve
Verto a linguagem que traduz a essência
O refúgio da minha existência.