…O que me habita…

No espaço do meu corpo

Habita a ausência e a presença

Entre o querer e o não querer

E cresce um lugar chamado ser

Que me diz do que sou feita

Entre o que deixei por fazer.


Descreve a pele que me veste

Sem julgar ou repreender

Ilumina o caminho do meu caminhar

Faz-me promessas sem se comprometer.


Habita-me um espaço que só eu o sei entender…

Outono

Senti a tua chegada

Através dos dias curtos

E das folhas que caem na calçada

Deixo-te entrar na minha morada

Saboreio os teus aromas

Aceito a melancolia que trazes vestida

Sinto a minha pele renovada,

Não sei o que perdi

Talvez os poemas que não escrevi

Atados a um tempo que parou

Entupida de silêncio

Mas algo no outono me despertou…