…Esperas…

Esperei de todas as formas que é possível esperar

Dias e dias, horas entre horas até o tempo parar

Enrolei-me nas noites frias, despida

Camuflada nas trevas

Dentro do silêncio da vida

No seio dos meus seios

Onde a tua voz pernoitava

E o nosso amor se conjugava.

Vejo todas as formas que é possível ver

À espera de saciar as esperas

Sabendo que o tempo não sobra

E não espera por mim.

Retrato do dia

Hoje o sol veio espreitar à janela

Senti a luz a entrar no meu peito

A pele tece um aconchego

Um respirar iluminado e perfeito

O corpo deixa de hibernar

E o coração parece sossegar,

Entro em movimentos alinhados

E guardo este alimento

Como se fosse um beijo

A saciar-me o olhar.

Será Saudade?

Será saudade

Quando o coração vai destapando a sombra

E mostrando que as lágrimas

Deixaram de cair

Mas que o teu espaço não deixou de existir

Tal como o rio que corre para o mar

O meu amor por ti não se deixa afundar.


Será saudade

As lembranças que vivem dentro do tempo

E que o tempo faz crescer nesta linha de vida

Mostrando que apesar de não estares aqui

Não deixamos de nos ver

Só morres quando a minha memória desaparecer.


Para ti,

Meu querido irmão.

Certo ou Incerto

O que cala a voz que trago no peito

O silêncio da chuva que cai

O rio que corre depressa

Fugindo do seu leito

Ou a surdez de quem passa

De olhar insatisfeito?


Não há tempo para recuar

Somos a multidão premiada para avançar

Não importa onde a corrente possa desaguar

Tecemos uma linha onde o destino é triunfar.


Sinto a voz do meu peito a afogar…