
Não sei se parei de subir
Ou se os degraus deixaram de existir
Não sei se começo devagar
E me perco antes de chegar
Não sei se a voz que fala e avança
É a mesma que cala a mudança.

Não sei se são viagens
Estes percursos que faço
Ou se são paragens
Momentos que desfaço
Ao tricotar pensamentos,
Criando, por vezes, um emaranhado de fios
Que se fixam na memória
Numa teia que bloqueia
Não só a passagem da luz
Como afastam o silêncio
Esse ponto que nos conduz
Vivos pela vida.
Não sei se são viagens que faço
Por todos os momentos que passo,
Mas neste costurar de pensamentos
Há sempre fios que se soltam
Talvez sejam atalhos
A unir a razão e a emoção
Ou simplesmente pontos de abrigo
Para albergar o coração.