
Neste tecido onde sempre escrevo
Onde há folhas em branco,
Outras que rabisco e arranco,
Porque não fazem sentido,
Porque não dizem ao que vivo.
São traços de vozes
Sussurradas ao ouvido,
Momentos sem tempo,
Conversas trazidas pelo vento.
São folhas…
Folhas que agitam como nas árvores,
Folhas onde deixo tombar palavras,
Mudas,
Talvez para serem lidas,
Outras tantas para serem ouvidas.
No tecido onde escrevo,
Costuro os verbos entre as minhas mãos
E, em silêncio, vou buscar
Os versos que dormem entre as rimas
De um poema,
De um corpo,
Onde desperta o toque das palavras,
Talvez por serem aveludadas,
Talvez por serem acarinhadas.
Quem sabe…
Simplesmente amadas!