Olhar a noite

Olho para a noite

Através do dia que finda,

Pelo céu que entardece,

Pelo escuro que dita segredos

Que ninguém conhece…


Enquanto uns dormem

Outros sonham.

Entre os que nascem

E gritam para a vida,

Há os que choram

A dor da partida…


Olho para a noite

Através do silêncio que cresce,

Pelo peso que se aninha nas pálpebras,

Pelo cansaço que pousa no corpo,

Até entrar no dia que amanhece…


Enquanto uns voam

Outros caminham.

Entre os que veem a luz

E respiram liberdade,

Há os que se fecham na escuridão,

Roubando aos dias a felicidade…


Olho para a noite,

E gosto de olhá-la!

E agora?

Demorei o olhar

Nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

Nesses assentos de vida,

De vida respirada

Tantas vezes

Em horas aceleradas,

Pela rotina que vestia os dias.

E agora?

Nos bancos do jardim

Repousa o tempo,

O tempo enamorado nas lembranças

Que perduram no silêncio,

À espera de encontrar quem as possa escutar.

E agora?

Nos bancos do jardim,

À sombra de um corpo envelhecido

Moldado pelas dores da solidão,

Cabe o repouso de um andar cansado

Que, ao abrir os olhos, vê o passado.

Tantas vezes

Pousou o olhar nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

E agora?