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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

…Rodopiando…

Saboreio o brilho do teu olhar
A rodopiar no meu sorriso
A magia que se estende no meu rosto
Coberto de ingenuidade
Ao entregar-se de improviso
Enquanto o meu corpo vagueia
Entre o retrato de menina a mulher
E tropeça na suavidade das palavras
Ditas pelo cruzar do nosso andar.

Gosto de te ver quando me vês
E de sentir a nudez do teu olhar
A penetrar na minha timidez…

…Era uma Vez…

A vida veste-se de palavras

Doces ou por vezes amargas

Frases feitas

Que nos vendem por estar certas

E o corpo absorve letra a letra

Este livro aberto

Que ao cair na pele

Se vai despindo,

E as silabas são desfeitas

Em capítulos que guardamos no coração

Levados pela razão ou emoção

Avançamos página a página

Com o prazer de viver

As palavras que se despem

E se entregam à vida…

Sempre guardado em mim

Porque a morte abre uma ausência

Um vazio difícil de sustentar

Cicatrizes que ficam

Amarradas ao corpo

Sem remédio para curar

Só o tempo para remediar

A ferida que parece nunca mais sarar.

O teu espaço será sempre guardado em mim

Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração

E tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.



Para ti

Querido irmão

Esvaziar a saudade

Nestes dias curtos

Que vestem o outono

Todos os espaços parecem vazios

Ausentes

O olhar espelha silêncio

Melancolia,

Eu só quero encontrar um lugar

Quem sabe um rosto

Ou um poema

Onde esvaziar a saudade

E sentir de novo a luz

Das nossas mãos se voltarem a tocar.

… O meu mar …

O mar é meu vizinho

De tantas vezes que o vi

Apenas hoje o senti naufragar

Sozinho,

Perdido à deriva no meu olhar

Procurava refúgio

Alguém com quem desabafar.

Já a brisa o tentava animar

Dar rumo às marés

Iluminando as madrugadas

Como se fosse um farol

Onde os corpos salgados

Se vão abrigar

Das tempestades do mar

De tanto ele amar…

E de repente o outono

E de repente o outono

Retratado no tempo

Nas manhãs despidas pelo vento

Entre as folhas amarelecidas

E na chuva que vem espreitar

Os dias que se deixam encurtar.


E de repente o outono

Um novo tempo a acontecer

Gestos que amadurecem o olhar

Vontade acesa de recriar

A estação que a terra vai vivenciar

E que na pele vem pousar.

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…

Albergue de emoções

Terra despida

Em raízes envolvida

Sementes que brotam

Desejo fértil de vida

Refúgio,

Terra prometida

Dias que amadurecem

Sombras que florescem

Traços que marcam o rosto

Luz que permanece além do sol-posto,

Terra vivida

Albergue de emoções

Instantes constantes

Renovar de estações…