Desconhecida's avatar

Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Escrevo-me,

Escrevo-me,

Como se escrever fosse buscar um pedaço de mim, como se as cartas continuassem a ser encontro, luz que reflete presença no tempo deste tempo.

E o encontro dá-se na fragrância do dia que amanhece, enquanto as palavras saem pela porta entreaberta e se misturam nos aromas que encontram pelo jardim… recolhem com a delicadeza de saber apreciar as pequenas coisas, tateando a vida que ferve em cada detalhe.
Aconchego-me nesta simplicidade…O olhar brilha e o silêncio dá-me o conforto de estar a ser ouvida.

Cheira a poesia! As minhas mãos acomodam os versos e o coração mostra o amor que partilho com quem quero bem, com quem me faz sentir bem! O amor é presente de dar e receber.
Então, escrevo-me! O dia hoje nasceu dentro de mim, faz esvoaçar lembranças e guardar afetos.

Celebro o tempo, não o que passa, mas o que permanece, e que vem dançando comigo!
O meu presente, o dia do meu quinquagésimo aniversário!

Que bom é poder celebrar a vida ❤

Amanhecer em guerra

O dia amanheceu

Perdido no escuro

Por entre os estilhaços

Que a noite devolveu.


O dia amanheceu

Com a contagem sangrenta

Dos rostos fardados

Que o mundo perdeu.


O dia amanheceu

Com o ruído das balas

Trazidas pela cegueira

De alguém que enlouqueceu.


O dia amanheceu

Com medo de ser perseguido

Para combater numa guerra

Que não é sua e não a escolheu.


O dia morreu.

Por aqui

Encontro-me por aqui,

Enquanto a vida não foge,

No corpo que madruga

Para arrumar as palavras

Que a mente vai desarrumando.


Perco-me por aqui,

Enquanto a vida foge,

Tentando acordar o corpo

Para encaixar os passos

Que o trilho vai desorientando.


Por aqui,

No tempo que encontro no tempo

E na escassez embriagada do tempo

Por aqui.

Deixaste tanto do teu amor

…Deixaste tanto do teu amor


Já não pouso no teu regaço

já não tenho o teu colo

o teu abraço.

Já não vejo o teu olhar

o teu sorriso

o meu porto de abrigo.

Já não sinto as tuas mãos

o teu carinho,

o calor do teu ninho.

Deixaste tanto do teu amor

a tua doçura continua à porta

sempre que me vê chegar,

ainda colho no teu jardim

a flor que guardavas para mim,

a luz do teu ser

é vida que em nós vai permanecer.


Tenho em mim tanto de ti

… A tua menina