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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

O meu horizonte

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Traço o meu horizonte
Sem margens,
Espaço aberto a novas viagens
Onde o caminho é longo
O existir é curto,
Esgravato o tempo
Estico o olhar para lá chegar
Venho sem pressa,
Do outro lado da terra
Comigo trago a vontade
De encontrar um mar
Uma linha onde atracar
A vida que levo a navegar.

Antes que …

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Guardo o silêncio da solidão
Antes que o barulho se alastre
E se aloje no coração

Adormeço a tristeza
Antes que o manto desperte
E acorde a minha leveza

Recolho as palavras perdidas
Antes que se sintam órfãs
E se isolem deprimidas

Apago a sombra da minha voz
Antes que fuja a poesia
E os sonhos acabem sós

Limpo o corpo do cansaço
Antes que se estenda pela alma
E se aproprie do meu espaço

Costuro as minhas memórias
Antes que o tempo as perca
E não as conte como histórias

Revelo o retrato dos dias
Antes que as cores desbotem
E a rotina me roube as alegrias

Antes que a brisa me leve
Verto a linguagem que traduz a essência
O refúgio da minha existência.

 

…Sou Mãe…

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Dispo a pele da minha pele
Para agasalhar o teu crescer
Na luz do meu ventre
Que te viu nascer
Dou vida à corrente
Que une o meu ao teu ser.

Cubro-te de amor
Com os olhos postos no teu olhar
Coração que bate nas minhas mãos
Que pulsa do peito para te abraçar
Feliz por sentir a tua felicidade
O voo da tua liberdade.

Neste constante aprender
Junto o meu ao teu saber
Ajudo-te a alimentar os sonhos
A rasgar o caminho
Que um dia seguirás sozinho
Serei sempre abrigo para te acolher.
…Sou Mãe

Às vezes…

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Às vezes
Adormeço o olhar
Num sono profundo
Só de olhos fechados
Escuto os segredos
Que trago dentro de mim
E iluminam o meu acordar.

Às vezes
Rasgo o horizonte
Num denso navegar
Nesta sede que não tem fim
De coração aberto
Para os que vivem
Dentro do meu olhar.

Às vezes
Trago na voz
As palavras do meu olhar…

 

O outono dos dias

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Espalho folhas
Levemente desenhadas
Douradas,
Para cobrir a pele das árvores
Caladas,
Sem movimento
Entregues ao desalento
Ao outono dos dias
Que vincam o tempo
E marcam a quietude
Dos gestos que ecoam
O silêncio das ruas.
Tento criar a ilusão
De vestir a estação
Espalho folhas pintadas
Outras nuas,
Onde escrevo histórias
E entrego-as ao outono
Como sendo suas…

No nosso tempo…

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Interrompo o tempo
Cada vez que fecho os olhos
E abro o corredor da memória
Onde guardo a simetria
Dos dias e dos anos
Que cobrem a nossa história.
O tempo não para de correr
Em sintonia com a vontade
De conjugar a felicidade
No estender das palavras
Que continuamos a escrever
No nosso tempo…

Amanhecer

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Aquieto-me
Com a última réstia de sol
Que espreita pela frincha
E se derrama no meu rosto
Contemplando o vagar
Do corpo que descansa
Sobre o dia quase findo
Que pousará no horizonte
Onde a luz recolhe
E levará o entardecer
A cair no anoitecer.
Aquieto-me
No olhar que se despe
Na inocência da madrugada
E reveste de sombra a noite
Até ao nascer das horas
Que acordam o amanhecer.

 

Não sei o que dizer…

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Não sei o que dizer
Tão pouco o que sentir
Se não a vontade de despir
O peso entranhado
Nos ossos
Neste corpo pesado
Onde já nada cabe
Se não a dor da saudade.
Difícil carregar o lugar
Que alberga o despertar
E sustenta o repousar
Das fragilidades da realidade.
O coração
De tão dorido
Sente-se triste e empobrecido
Ainda assim,
Ajeita-se no seu modo de ser
Vagueia,
Mas não se dá por vencido
Recorda a tua força de viver
Ordena a desordem
Nas emoções de te ter perdido
E num fechar de olhos
Abro um sorriso
A todos os teus sorrisos…

 

Envelhecer

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As folhas vão caindo
Quem sabe desistindo
Daquilo que as prende à natureza
Também os anos vão tombando
E a beleza derrubando
Porém,
A vida ensina-nos
A acrescentar amor
À idade que vamos somando
E força para continuar a crescer
Na arte de envelhecer.

… Enquanto as folhas vão caindo…

Que posso eu ser?

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Estranho
Esta estranheza
Que carrego sobre os ombros
Doridos,
Deixam tombar os desejos
Jã não sustentam a brisa
Que abre a beleza do dia.
De nada me servem as palavras
Que outrora me moviam
Comigo permaneciam
E sempre me comoviam.
Quisera eu ser poeta
Construir um mundo
Onde tudo cabia.
Certa
Desta certeza
Dediquei-me à poesia,
Agora,
Presente neste mundo
Ausente de palavras
Que posso eu ser?