Desconhecida's avatar

Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Olhar a noite

Olho para a noite

Através do dia que finda,

Pelo céu que entardece,

Pelo escuro que dita segredos

Que ninguém conhece…


Enquanto uns dormem

Outros sonham.

Entre os que nascem

E gritam para a vida,

Há os que choram

A dor da partida…


Olho para a noite

Através do silêncio que cresce,

Pelo peso que se aninha nas pálpebras,

Pelo cansaço que pousa no corpo,

Até entrar no dia que amanhece…


Enquanto uns voam

Outros caminham.

Entre os que veem a luz

E respiram liberdade,

Há os que se fecham na escuridão,

Roubando aos dias a felicidade…


Olho para a noite,

E gosto de olhá-la!

E agora?

Demorei o olhar

Nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

Nesses assentos de vida,

De vida respirada

Tantas vezes

Em horas aceleradas,

Pela rotina que vestia os dias.

E agora?

Nos bancos do jardim

Repousa o tempo,

O tempo enamorado nas lembranças

Que perduram no silêncio,

À espera de encontrar quem as possa escutar.

E agora?

Nos bancos do jardim,

À sombra de um corpo envelhecido

Moldado pelas dores da solidão,

Cabe o repouso de um andar cansado

Que, ao abrir os olhos, vê o passado.

Tantas vezes

Pousou o olhar nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

E agora?

Essência – Um livro!

É com profunda emoção que partilho convosco o lançamento do meu primeiro livro de poesia, Essência.
Este livro – Essência: Volume I – resulta da compilação dos poemas que escrevi entre 2015 e 2019, um período marcado por descobertas, crescimento e partilha.

Cada poema conta uma história, preservando emoções e momentos que vivi. Alguns poemas refletem a plena felicidade, enquanto outros foram inspirados em momentos mais desafiantes. Inicialmente ganharam vida neste espaço digital, e agora encontram um novo lar nas páginas de um livro.

Essência representa quatro anos de criação poética: um tempo de introspeção e crescimento, de experimentar o mundo através das palavras. Transformar estes poemas em livro foi uma decisão que nasceu do carinho e do incentivo da minha família e de amigos especiais, que me apoiaram a materializar este projeto. Este livro marca um capítulo importante da minha vida, e não poderia estar mais feliz por partilhá-lo convosco.

Aos que me acompanham há anos neste espaço, o meu mais sincero agradecimento. Obrigada pelas mensagens de carinho, pelas palavras de incentivo e pela vossa presença constante ao longo do tempo.

O livro está disponível em algumas plataformas digitais, como a Amazon.es e a fnac.es, e cada exemplar carrega um pedaço da minha alma. Espero que encontre eco nos vossos corações.

A todos os que fizeram parte desta jornada, o meu mais profundo agradecimento. Este livro é a concretização de um sonho que começou há muito tempo, neste mesmo espaço.

Obrigada a todos!

No tecido das palavras

Neste tecido onde sempre escrevo

Onde há folhas em branco,

Outras que rabisco e arranco,

Porque não fazem sentido,

Porque não dizem ao que vivo.

São traços de vozes

Sussurradas ao ouvido,

Momentos sem tempo,

Conversas trazidas pelo vento.

São folhas…

Folhas que agitam como nas árvores,

Folhas onde deixo tombar palavras,

Mudas,

Talvez para serem lidas,

Outras tantas para serem ouvidas.

No tecido onde escrevo,

Costuro os verbos entre as minhas mãos

E, em silêncio, vou buscar

Os versos que dormem entre as rimas

De um poema,

De um corpo,

Onde desperta o toque das palavras,

Talvez por serem aveludadas,

Talvez por serem acarinhadas.

Quem sabe…

Simplesmente amadas!

Tocam os sinos!

Ouves?

São os sinos!

Tocam no coração

Chamam o amor,

Apelam à união!


A praça está cheia de luzes

Mas ainda há rostos apagados,

Tristes e desencontrados.

Que a luz seja o caminho

No silêncio que abraça a noite,

Haja conforto e carinho

E todos encontrem um lugar

Onde se sintam amados.



São os sinos!

Tocam no coração

Chamam o amor,

Apelam à união!

Ouves?

… Entre nós …

E, depois, veio o vento

A poeira assentou.

E, depois, vieste tu

O vento voou.

Ficámos sós!

Olhei-te,

Tu vieste ao encontro do meu olhar.

Os corpos tinham pressa

Queriam chegar a algum lugar.

Entre o desejo e o silêncio

Estávamos nós…

Arrastávamos a bagagem

À procura do caminho

Onde nos pudéssemos arrumar,

Onde despíssemos o avesso dos dias,

Esses dias difíceis de respirar.

Ficámos sós!

Cobrimos as mãos frias

Com as réstias das palavras

Que trazíamos na voz,

E ficámos sós

Entre nós!