Antes que …

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Guardo o silêncio da solidão
Antes que o barulho se alastre
E se aloje no coração

Adormeço a tristeza
Antes que o manto desperte
E acorde a minha leveza

Recolho as palavras perdidas
Antes que se sintam órfãs
E se isolem deprimidas

Apago a sombra da minha voz
Antes que fuja a poesia
E os sonhos acabem sós

Limpo o corpo do cansaço
Antes que se estenda pela alma
E se aproprie do meu espaço

Costuro as minhas memórias
Antes que o tempo as perca
E não as conte como histórias

Revelo o retrato dos dias
Antes que as cores desbotem
E a rotina me roube as alegrias

Antes que a brisa me leve
Verto a linguagem que traduz a essência
O refúgio da minha existência.

 

Às vezes…

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Às vezes
Adormeço o olhar
Num sono profundo
Só de olhos fechados
Escuto os segredos
Que trago dentro de mim
E iluminam o meu acordar.

Às vezes
Rasgo o horizonte
Num denso navegar
Nesta sede que não tem fim
De coração aberto
Para os que vivem
Dentro do meu olhar.

Às vezes
Trago na voz
As palavras do meu olhar…

 

Entre o dia e a noite

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A noite devolveu-me ao dia
O corpo desembrulha-se para acordar
A pele ainda transpira a fragrância de sonhar
O pensamento teima em não se levantar
As palavras ainda a dormitar
Estremecem com o sol a espreitar.

Encontro-me com o espelho num breve olhar
Não lhe dou tempo para me enganar
Pinto o rosto com um sorriso singular
Poiso no corpo asas para voar
E ouso saciar a vontade de viver o dia
Até o cansar e a noite me vier buscar.

Quero ser habitada…

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Fiz de ti
A minha morada
Quero ser habitada…

A casa pode ser recatada
Caiada,
À beira mar plantada
Talvez,
Uma flor à entrada
Uma borboleta pousada
E um bando de passarada!
Uma casa iluminada
Entre sonhos
Debruada…

É para mim
A morada
Onde vou ser amada…

 

Queria ser uma estrela!

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A noite reluzia a elegância do manto que lhe movia o corpo, enquanto o silêncio acentuava os passos descomprometidos que pisavam a calçada.
Silhueta vincada pelo mistério que se fazia sentir em cada esquina que dobrava, entre o reduzido feixe de luz e a sombra que a perseguia.
Dada a um movimento de leveza que lhe desnudava ainda maior beleza.
Amante confessa das horas que cobrem os dias e os pintam de uma escura tonalidade, a penumbra. Vivia a noite como mais ninguém a via…
Conhecia de cor os lugares cobertos pelos luares que incendiavam o céu.
Entre rumores dizia-se que apenas o retrato da noite a preenchia e todas as noites o seu sonho se cumpria.

Queria ser uma estrela!

Felicidade

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Acredito na felicidade
Descobri que existe
De verdade
Sou eu, és tu
É aquele que não desiste
E vive em liberdade.

Flutua como o vento
Ao sabor de cada sentimento
É leve e passageira
Se não for verdadeira
Bem trabalhada e alicerçada
É companheira para a vida inteira.

Gosta de ver e de sentir
O que tem e o que há-de vir
Aprecia a simplicidade
O amor e a amizade
Não é egoísta,
Nem tão pouco racista.

É o estado da alma
O ponto de luz
Que nos conduz
Nos ilumina e guia
A alegria que contagia
É a nossa mais-valia.

Acredito na felicidade
Descobri que existe
De verdade
É um sorriso aberto
É ter-te por perto
É partilhar autenticidade.

Estou a caminho

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Acordei cedo
Ainda o sol se espreguiçava
Há muito que não madrugava
Mas sabe bem ver o dia nascer
Sentir o que a natureza tem para oferecer.

Despeço-me apressadamente do tempo
Embarco com o coração a transbordar de saudade
Transporto o bilhete de regresso para a felicidade
Viajo com um arco iris no olhar
Na bagagem muitos abraços para te dar.

Estou sedenta dos teus beijos
Quero rever o teu rosto e o teu sorriso
Diminuir a distância e aparecer de improviso
Vou levantar voo e sobrevoar-te
Livremente pousar no teu corpo e amar-te.

Voltei, estou aqui para ficar
Cuidar de quem me cuida e sabe amar
Qualquer que seja o destino ou o lugar
Lado a lado havemos de lá chegar.

As Palavras

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Como eu saboreio as palavras
Doces, sentidas ou acarinhadas
As amargas são menos apreciadas
Mas nem por isso deixam de ser palavras.

Gosto das palavras arrumadas
Coloridas e bem ritmadas
Gosto de as escrever bem alinhadas
Para não serem esquecidas ou apagadas.

As palavras são como lâminas afiadas
A alma sangra quando mal pronunciadas
Ao contrário ao ouvido segredadas
Alegram o coração ao serem tão desejadas.