Onde pousa o olhar…

O olhar seguiu

Sem pensar se era início ou fim,

Sem sentir que fugiu,

Se estava perto ou longe de mim.

Viu as nuvens agarradas ao céu,

Os desenhos lá pendurados,

Livres,

Expostos à imaginação

De sobrevoar o denso manto que cobre a terra.

Seguiu,

Unido pelo olhar que viu.

Tudo era perfeito,

Até questionar

Se tudo aquilo realmente existiu.



Quantas vezes o olhar

Se encontra perdido,

Até pousar e ser entendido!

Quantas vezes…

Olhares que se abrem

Movido pela liberdade

O amanhecer rodopiou

Depressa o sol despertou

E mapeou todos os sentidos

Como se fosse um guardião do dia,

Iluminou todas as sombras

E deu voz aos olhares que se abrem

Às conversas dos pássaros

À dança das flores

Ao acenar das palavras

Ao desfolhar de pensamentos

Ao voar e pousar,

Às escolhas de cada caminhar

No dia a dia de cada acordar…

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…

Livre

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Livre
Em permanente mutação
Entre os que ficam e os que vão
Não morre a liberdade
Ainda que reste a saudade
Dos que ficam no coração.

Livre
Tal como o vento
Que no seu agitado movimento
Oxigena e germina vida
A cada passagem ou partida
Refresca a alma e o pensamento.

Livre
No meu jeito de ser
Haverá sempre um dever
Que me prende à realidade
Sendo o alicerce a liberdade
Para eu crescer e viver.

Livre
Sigo a essência que me alimenta o ego
Tantas vezes sem destino navego
É aí que me despertam os sentidos
Até então, pelo tempo detidos
Livremente respiro e sossego.