Silhueta de domingo

Silhueta de domingo

Embalada pelo mar,

O meu olhar naufraga

Nos teus passos asseados

Quando te vejo passar…

Não há sombra no teu caminho,

Trazes luz

Que se estende ao horizonte

Até o sol parece brilhar mais.

Só eu, neste silêncio ondulado

Onde permaneço afundado,

Querendo um dia ser cais

De todos os teus domingos…

E assim será…

E assim será

De tarde em tarde

Viajar no teu vento

Debruçar o meu coração no teu horizonte

Sentir a brisa a rodopiar

Como se fosse ler o meu pensamento

Até entregar a nudez da minha pele

Ao teu enrolar vadio

Que me prende e desprende

Neste cair de tarde

De todas as tardes

Onde o meu olhar se embebeda

Pelo teu mar…

…Escrever um poema…

Se tivesse que escrever um poema

Seria com certeza sobre o mar

Porque navego em rotas desconhecidas

Deixo que o vento me leve e me alimente a ilusão

Descubro-me em palavras que achava perdidas

Nem sempre em terra firme encontro imaginação.



O mar é um horizonte aberto

O coração embarca como viajante

Tendo a liberdade como direção

Os poetas seguem maré,

Transportam as palavras com o olhar confiante

Mergulham o amor em poemas de paixão.



Se tivesse que escrever um poema

Seria com certeza num barco a navegar…

… O meu mar …

O mar é meu vizinho

De tantas vezes que o vi

Apenas hoje o senti naufragar

Sozinho,

Perdido à deriva no meu olhar

Procurava refúgio

Alguém com quem desabafar.

Já a brisa o tentava animar

Dar rumo às marés

Iluminando as madrugadas

Como se fosse um farol

Onde os corpos salgados

Se vão abrigar

Das tempestades do mar

De tanto ele amar…

Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar

Entristecido,

Já se tinha lamentado à lua

Desabafava sobre a terra

Que por vezes amua

Flutua como as marés

Desorientada

Com o olhar longe,

Desgostoso

O mar encobre-se no nevoeiro

Saudoso de lhe salgar a pele

Navegar no horizonte do seu corpo

Espalhar na brisa o que guarda no coração

Sente pela terra um mar de paixão.

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar

A memória embarcou no seu ondular

Nos tempos onde os sonhos

Ficavam para além do horizonte

Distantes da vista alcançar.

Hoje o olhar um pouco cansado

Encontra a felicidade deste lado

Onde as marés se juntam

E a brisa vai trazendo desejos

Neste mar aberto

Que será sempre navegado por sonhos

E banhado por beijos…

O meu olhar

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Levei o meu olhar até ao mar
Deixei a água entrar na minha pele
Navegar em todas as frestas
E o meu corpo salgar,
Como se fosse um manto de espuma
Onde o mar se vem enrolar
E mergulhar em mim…

Ao ver a imensidão do mar
O olhar fechou os olhos
Pensou na liberdade de voar
De levar no aconchego do regaço
As palavras à deriva no pensamento
Entre a voz que silencia o momento
Neste mar que habita em mim…