… a ver o mar …

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Perdi o olhar a olhar para o mar
De tanto imaginar até onde me poderia levar
Quantas marés a minha alma irá vivenciar
Quantos luares a minha janela irá encontrar.

Quantos segredos pedi ao mar para guardar
Quantas noites adormeci com o seu embalar
Tantas vezes sonhei que me vinha buscar
Cúmplices na vontade de partir e voltar.

Sinto o olhar a olhar para o mar
Satisfeito de tanta beleza contemplar
Quantos medos pedi ao mar para afogar
Quantas lágrimas enxuguei a ver o mar.

O meu mar…

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Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…

 

O meu horizonte

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Traço o meu horizonte
Sem margens,
Espaço aberto a novas viagens
Onde o caminho é longo
O existir é curto,
Esgravato o tempo
Estico o olhar para lá chegar
Venho sem pressa,
Do outro lado da terra
Comigo trago a vontade
De encontrar um mar
Uma linha onde atracar
A vida que levo a navegar.

A paixão do mar

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O mar vestiu-se a preceito
Acalmou o seu jeito
Aquele ondear encrespado
Que mostra quando está insatisfeito,
Embebe-se na espuma
Vaidoso,
Encobre-se na sua bruma
Ansioso
Que a terra se desnude
Mergulhe no seu corpo
Em toda a sua amplitude
E se deixe repousar
No amor do seu mar.

A terra ouve o lamento
Transportado pelo vento
Sabe que é hora de partir
De sossegar o seu sentir,
Apressa-se,
Segue o voo das gaivotas
Leve,
Asas que pintam o azul do céu
Libertam o majestoso véu
E a pele salga-se de mar
Sente-se pronta para abraçar
A infinitude do olhar
Que une a terra e o mar.

 

Entre o rio e o mar

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“Sou rio que só conhece o teu mar”

Sou rio
Para no teu mar desaguar
Nos teus braços ondear
Provar o sabor do teu sal
Entre o vento e tempestades
Ir mais longe e mais além
Entregar-me às marés
Onde vais e vens
Banhar-me na tua espuma
Deixar-me ir
Na água que resfria
Sob o manto da tua bruma
Cair na tua profundidade
No abismo do desejo
Naufragar no teu oceano.

Terra e Mar

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A terra abraça o mar
Entre salpicos, ele a vem beijar
Escolhe a maré para acostar
Enrolados em lençóis de água
Banham-se na espuma
Até ele se libertar.

Ancorada à nudez do seu olhar
A terra vai e vem no seu ondear
Pelo prazer de o sossegar
Deixa-se ir
Em silêncio, amainando a água
Somente para o contemplar.

O mar embarca sôfrego de desejo
Incerto que a terra o volte a acalmar
Agita-se em gemidos e queixumes
Desassossega e enfurece os oceanos
Afunda-se de desgosto, lavado em ciúmes
Deixando a terra ansiosa para o ver chegar.

Marinheiro

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A barca já não tem proa
De tanto mar cruzar
Dia e noite a navegar
Para depressa chegar
E em teus braços se afundar.

Ancorar no teu olhar cor do mar
Ondear no teu corpo
Com as mãos molhadas e salgadas
O sabor a maresia
E o desejo de imergir
Dentro de ti até voltar a partir.

A barca já não tem vela
De tantas tempestades sofrer
Só o sonho a faz mover
A saudade de te ver
Já que escolhi o mar para viver.

A barca está partida
Tal como tu com a despedida
És o porto de abrigo da minha vida
Regresso sempre ao mesmo lugar
Seremos sempre dois a navegar.

 Na partida sou o teu marinheiro
No regresso sou o teu companheiro.

Neste verão…

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Sinto o cheiro a terra molhada
Os salpicos de chuva que caem no chão
O rodopiar do pó que penetra nos poros
A pele suada pela brisa quente de verão.
Silhueta despida que voa em liberdade
Esvoaçando sem presa, figura ousada
Cruzo o olhar enquanto desço a calçada
Sedenta pela frescura da aragem do mar
Aliada ao tempo, com tempo para apreciar
O melhor que o dia tem para me dar.
Sigo o rumo das gaivotas
De sorriso rasgado pelo vento
A retina enamorada pelo momento
Enquanto gotas perfumadas de intenso sabor
Deslizam sobre o corpo rendido ao calor.
Já sinto o cheiro a maresia
Avisto os corpos a bailar nas ondas
Embebidos em espuma e água salgada
Espelhando o brilho dos bronzeados
Outros plantados na areia cintilante
Entre conversas, jogos e brincadeira
Um pé na água, outro na espreguiçadeira.
Tenho o sol tatuado na pele
O olhar preso no azul do mar
Das mãos soltam-se os sonhos
O coração transborda de paixão
Quero mergulhar contigo neste verão!

 

O Mar

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Imensidão azul
Visão que se perde no infinito
Pensamento que flutua aflito
À deriva entre o norte e sul
Pela busca de algo imaginário
Desconhecido no teu abecedário.

Horizonte perdido entre o céu e a terra
Reflexo de vida na maré inconstante
Procura de algo ausente e distante
Consciente que se perde e se erra
Tantas vezes a minha alma navega
Até encontrar quem a sossega.

O além de outros tempos
Riqueza, poder e fama
Tesouro escondido que ninguém reclama
Entre mitos, lendas e passatempos
Estão os piratas fortes e destemidos
Que até hoje mergulham nos teus bramidos.

Calmo e sereno
Forte e turbulento
Quantas vidas deitadas ao relento
Na busca de encontrar o amor pleno
És Confidente de amor e paixão
Para muitos uma fonte de inspiração.

Incógnita a decifrar
Segredos guardados no teu abismo
Junto das sereias e em profundo misticismo
Sentes os queixumes no seu ondear
Enquanto reflete o brilho fulgente
No paraíso perfeito e ardente.
O Mar!