…entre voos…

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A vida passa pela espessura
Que cobre as paredes dos dias
O tempo espreita pela ranhura
Por onde os anos atravessam
Levando as horas pelo caminho,
E neste vai e vem constante
Esvoaçamos como pássaros
Num bater de asas
Contra a corrente do tempo
Para quebrar a fechadura
Levantar voo e voar
Criar pouso e repousar!

Brisa…

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Vejo-te a enrolar as ondas do mar
Sinto-te a assentar a poeira do ar
Escondes-te no meu cabelo
Que cede ao teu rodopiar
Esvoaçando para te agasalhar.

O meu corpo apega-se ao respirar
Do sopro que cai na minha pele
Toca nos poros até os arrepiar
Cruzo o meu olhar com o teu pensar
Nesse vai e vem constante de viajar.

És brisa
Levas as memórias que o tempo apagou
Liberto-me no aroma da tua aragem
Ganho leveza na minha bagagem
Agarro a vida que ainda não passou…

Amanhecer

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Aquieto-me
Com a última réstia de sol
Que espreita pela frincha
E se derrama no meu rosto
Contemplando o vagar
Do corpo que descansa
Sobre o dia quase findo
Que pousará no horizonte
Onde a luz recolhe
E levará o entardecer
A cair no anoitecer.
Aquieto-me
No olhar que se despe
Na inocência da madrugada
E reveste de sombra a noite
Até ao nascer das horas
Que acordam o amanhecer.

 

Entre o luar…

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Da janela do meu quarto
Vejo a noite já fechada
Talvez um pouco ensonada
Embrulhada na madrugada

Sinto o aroma doce do vento
Que sussurra leve ao relento
Embala a noite no pensamento

O meu olhar embriaga-se na lua
Tímida esconde a sua face nua
No corpo que cresce como míngua

O céu no aconchego do anoitecer
Rouba-me o sono para adormecer
Vejo o sol abrir o amanhecer
Da janela do meu quarto.

Campo aberto

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Preciso desse campo aberto
Onde o olhar se deixa ir
Na abundância do tempo
Onde as mãos repousam
Dos socalcos da vida
E o amor fermenta
No intenso aroma
Que o vento traz
E nos corpos se desfaz.

Não tarda rebenta a semente
E o grão armazenado
Pela terra será criado
O céu abre-se de cor
Entre o verde do respirar
E o coração pronto para amar
O fruto encontra poiso
Raiz fértil para se libertar
E mais um ciclo completar.

Berço de aconchego

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Sinto a dor entrar-me na pele
Ao caminhar descalça entre o pó
E a saudade do verde do teu olhar.
Olho as árvores desfolhadas
Tão visível a magreza,
A tristeza,
De terem sido abandonadas.

A terra está carente de semente
De grão
De um sopro de gente
Que lhe estenda a mão
Pedra a pedra
Lhe devolva a calçada
Os sonhos de cada estação.

Meu berço de aconchego
Deixa-me sacudir-te as feridas
Costurar-te as asas
Para que possas de novo voar
Tão longe quanto os pássaros
No rasgar dos dias
Que alegremente vivias.

Terra Mãe

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Sento-me a teu lado
Terra que me acalma
Respiro o ar que o teu cheiro emana
Envolvo-me nas tuas cores
Deleito-me na profundidade das tuas águas
Que me lavam as dores e as mágoas.
Como é forte a tua semente
Que brota sobre a gente
Num manto de agasalho
Protetora natureza
Como é possível destruírem a tua beleza?

Terra que me acalma
Sinto a leveza do teu amanhecer
Acordo com o silêncio do teu orvalho
Faço-te companhia
Nas noites que teimo
Ver-te adormecer.
Ofereces-me tanto
Que do tanto que tenho
Não te sei agradecer.

Terra que me acalma
Piso a firmeza do teu chão
Sem sentir a dor da compaixão.
No teu vento esvoaçam beijos
Sons tecidos como desejos
Que prendem o céu ao mar
Onde o tempo parece parar.
Embriagada com a tua pureza
Protetora natureza
Quantas vezes te fazem sofrer
No planeta que temos para viver.
Terra Mãe.

Uma história colorida

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Resolvi pincelar o dia
Numa história de cor e magia
E aproveitar para vos mostrar
Uma tela da minha autoria.

Entre tintas e pincéis
Procuro a cor da alegria
Talvez o amarelo
Luminoso e pleno de energia.

Desenho papoilas e margaridas
E nelas pinto a tranquilidade
Escolhi o verde como tonalidade
Inspira-me confiança e verdade.

De azul pinto o céu
Com o sol a brilhar
Majestoso mostra o seu véu
E a profundidade do seu olhar.

De vermelho pincelo a força do amor
Aquela que com o seu fervor
Traz vida ao coração da donzela
Retratada suavemente nesta aguarela.

Para vos mostrar tal beldade
De lilás vinco a personalidade
Sobressaindo a sensualidade
E os traços finos de vaidade.

Termino esta pintura
Com várias cores à mistura
Pois só assim identifico
A textura da minha assinatura…

A primavera a chegar

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Suave fragrância
Que emana no ar
O cheiro da terra
As flores a desabrochar
A primavera a chegar!

Vou vestir as palavras
Com pétalas de flores
Aromatizar um poema
Pinta-lo de várias cores
Pedir à brisa que o leve
Faça despertar novos amores.

A primavera está a chegar
A alma despede-se da embriaguez
Da pacatez dos dias de inverno
O sorriso alastra no rosto
O sol acorda bem-disposto
O coração abre-se para amar.

Quero germinar dentro de ti
Flor que cresce e enaltece
Metamorfose de desejos
Entre afagos e beijos
De primavera a mulher
Sou de quem bem me quer.

Discurso do Sol

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O sol mostrou o seu melhor sorriso
Convidou-me a sair do casulo
A libertar os laços da rotina
Soltar o olhar
Soltar o riso
Deixar para trás a neblina.

Estendeu os seus enormes braços
Levou consigo os lamentos
Arejou os pensamentos
Clareou os meus passos
Seguiu comigo
Como um bom amigo.

O sol não deixa de brilhar
Ainda que não seja constante
Não hesita nem um instante
De me visitar e iluminar
Renovando a energia
Que favorece o meu dia.

O sol com o seu discurso
Molda os sentidos
Que por vezes parecem perdidos
Ensina a saber esperar
Sem nunca perder a vontade de brilhar!