
Não sei se parei de subir
Ou se os degraus deixaram de existir
Não sei se começo devagar
E me perco antes de chegar
Não sei se a voz que fala e avança
É a mesma que cala a mudança.

Com os pés a sentir a terra
Sonhava que conversava com a lua
Entre a distância do meu olhar
Incendiava-se uma claridade nua
Crescente,
Um brilho que não deixava de brilhar
E o meu coração sorria
Com palavras doces se abria
Tantos eram os segredos para lhe contar
Encontrava-me na fase da confidência,
Quando de repente,
Sinto a noite acordar para o dia
E a terra a continuar a sua vivência…

Estendo as minhas mãos
Pudesse eu desfolhar o mundo
Cruzar o tempo neste caminho profundo
Olhar o mar no horizonte sem fundo.
Embalo os meus sonhos
Sem me deixar cair no adormecer
A vida ensina-me a ganhar e a perder
Soubesse eu sempre acatar este entender.
Entrego palavras à poesia
Como se fossem flores a brotar num jardim
O encanto pelos poetas é terra que não tem fim
Soubesse eu colher o poema certo para mim.

Quando o meu olhar
Pisa a vontade
Que tenho em chegar
Onde os sonhos me deixam sonhar
Não há ponto que ponha fim
Ao que habita dentro de mim…

Gosto de sentir o sono chegar
Abro a janela
Para os sonhos poderem entrar
Caminho pela noite dentro
Em histórias que me vêm buscar
Andamos de lugar em lugar
Cúmplices da escuridão,
Desembrulhamos o coração
E as palavras seguem o luar
Despidas e soltas
Como se fossem estrelas
A brilhar de tanto amar…
Estremeço com o amanhecer
Mas o olhar ainda sonha
Fecho a janela
Para o dia não levar os sonhos
Que guardo para te contar
Sinto que a vida passa a voar
Como se fossem estrelas a brilhar…

A cidade amanhece
O silêncio que a cobria desaparece
Abrem-se as portas
Para mais um dia de memórias
Relato vincado pelos rostos
Que cedo carregam no tempo
O compromisso de vestir a missão
O ofício que preenche o coração.
A cidade amanhece
O azul do céu timidamente aparece
Descobre-se a traça
A fachada que guarda as histórias
O som dos passos madrugadores
Que corajosamente abrem a rotina
A vontade de não perder a construção
Que une o sonho e a razão.
A vida acontece
Em cada olhar que amanhece…

Habito no silêncio da noite, quando as pálpebras descobrem o adormecer na penumbra do anoitecer.
O sono descansa entre o repouso do corpo e a imaginação dos sonhos que atravessam a luz através da escuridão que bate na vidraça da janela.
Sinto a sombra da lua que dorme mesmo ao meu lado, no aconchego do céu estrelado.
Vagueamos no mesmo vagar e tenho fases em que o meu pensamento se perde algures no seu luar.
Guardo os aromas que colho durante o dia e aguardo o anoitecer para partilhar este respirar.
Contemplo a cumplicidade desta vivência, deixo as palavras soltas pelo céu e sinto o reluzir das estrelas que se unem para apanhar os segredos que escapam do nosso conversar.
Transporto a essência da noite para o silêncio do meu acordar…