… Um presente …

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 A vida é um presente
oferecido neste instante.
Porquê abri-lo mais adiante?

O dia acordara cedo
Com um toque de palidez,
Talvez um pouco cansado,
Mas disposto a abrir o olhar
Deixar o sol entrar,
Sentir o orvalho a desaparecer,
Por entre as flores se esconder
E saborear a natureza a amanhecer.

A vida respira esta fragrância,
Agarra os dias sem os deixar fugir
Sacode a poeira que assenta nos ombros,
Cria asas e entrega-se a viver.

Abraço

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Quando o meu coração toca no teu,
Bate satisfeito contra o teu peito.
Traz o teu amor para junto do meu
Colhe, no aconchego dos teus braços,
Espaço para te oferecer os meus.

Vestimos os corpos de histórias,
E, neste silêncio,
Apenas cabe no olhar
A vontade de te abraçar.

O pisar do chão

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Descalça,
Sinto os meus próprios passos
Entranhando na terra
Percorrendo as raízes
Que se desprendem
E se agarraram à liberdade
De escolher o caminho
O pisar do chão
Que molda a orientação
Sem ter medo de seguir
De colher o que está para vir.
Descalça,
Neste rasgar de tempo
Que o corpo aprende a lavrar
Sem deixar que as feridas
O deixem abrandar…

 

O meu mar…

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Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…

 

As horas da noite

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Senti que me perdi
Na fragrância da noite
Que se mostrava fria
Opaca e vazia
Entre janelas desabitadas
E ruas desordenadas,
Dormitavam as palavras
Nuas e cruas
Como se estivessem apagadas,
Conto as horas da noite
Para depressa o dia chegar
E as palavras acordar
Gosto tanto de as ouvir falar…

Rotina dos dias…

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Todos os dias olho para o céu
Todos os dias me parece igual
Ainda assim,
Sinto que por vezes me entristece,
Repleto de nuvens quando amanhece
Há dias em que mostra um sorriso
Colorido no rosto,
Satisfeito e bem-disposto.
O meu olhar estende-se no seu olhar
O que me leva a reparar
Que estando sempre no mesmo lugar
Vive os dias sem os igualar.
Todos os dias olho para o teu olhar
Tendo o céu por perto a acompanhar
Ainda assim,
Todos os dias gosto de te amar.

 

… Sinfonia …

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A pele entrega-se ao vibrar
Os poros deixam-se arrepiar
E as palavras escorregam
Pelo compasso de tempo
Que faz as notas tocar.

Do coração saem histórias
Letras que desafiam memórias
E o corpo agarra-se à melodia
Que entranha na alma
E faz deste sentir uma sinfonia.

Tal é a vida
Um concerto de sentimentos!

Guardo-te em mim

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Albergo no meu olhar a promessa, a vontade de manter no espaço da minha existência, uma porta sempre aberta para que o nosso sorriso continue a encontrar-se e o meu coração ficará entreaberto para guardar o aroma da tua voz e acolher os beijos que os nossos lábios abraçam quando se sentem sós.
Na imensidão deste labirinto, onde o pensamento por vezes se afunda, imerge o retrato da profundidade de um corpo que navega certo de querer ancorar no lugar onde o horizonte se cruza com o mar e onde os nossos mundos se possam entrelaçar.
Cabe agora em mim, não só o amor que me faz amar, mas também a liberdade para gastar as palavras com este sentir…é para ti que escrevo.
Albergo no meu olhar a promessa de ser porto de abrigo…
Guardo-te em mim.

Não sei…

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Empresta-me um pouco do teu rumo
Não sei que direção tomou o meu
Não sei se me esqueci
Ou se me desorientei
Não sei se para trás fiquei
Ou se me adiantei
Não sei…

Só me recordo
Que do tanto que corri
E do muito que caminhei
Entre os dias que comigo levei
E por todos aqueles que passei
Temo que a vida não apanhei
Empresta-me um pouco do teu rumo…