
Ouves o silêncio?
Está revestido de ruído,
Murmúrios,
Sombras e ecos.
Prefere estar calado,
Talvez cansado,
À espera de um instante
Onde possa realmente descansar,
Ou simplesmente
Escutar
O silêncio.

Dá-me a tua mão
Guardei-te um lugar perto de mim.
Vamos buscar a primavera,
Trazê-la para dentro da poesia,
Aconchegá-la nas palavras que florescem
Plantá-la num canteiro de margaridas
E pedir ao sol que apareça,
Que nos traga um sorriso,
Uma luz que nos fortaleça.
Vamos buscar a primavera,
Embalados por entre as pétalas
Que rodopiam no nosso olhar.
E, quando ela finalmente quiser chegar,
Perto de mim haverá sempre
Uma réstia de saudade
A desabrochar…

Olho para a noite
Através do dia que finda,
Pelo céu que entardece,
Pelo escuro que dita segredos
Que ninguém conhece…
Enquanto uns dormem
Outros sonham.
Entre os que nascem
E gritam para a vida,
Há os que choram
A dor da partida…
Olho para a noite
Através do silêncio que cresce,
Pelo peso que se aninha nas pálpebras,
Pelo cansaço que pousa no corpo,
Até entrar no dia que amanhece…
Enquanto uns voam
Outros caminham.
Entre os que veem a luz
E respiram liberdade,
Há os que se fecham na escuridão,
Roubando aos dias a felicidade…
Olho para a noite,
E gosto de olhá-la!

Demorei o olhar
Nos olhares sentados
Nos bancos do jardim…
Nesses assentos de vida,
De vida respirada
Tantas vezes
Em horas aceleradas,
Pela rotina que vestia os dias.
E agora?
Nos bancos do jardim
Repousa o tempo,
O tempo enamorado nas lembranças
Que perduram no silêncio,
À espera de encontrar quem as possa escutar.
E agora?
Nos bancos do jardim,
À sombra de um corpo envelhecido
Moldado pelas dores da solidão,
Cabe o repouso de um andar cansado
Que, ao abrir os olhos, vê o passado.
Tantas vezes
Pousou o olhar nos olhares sentados
Nos bancos do jardim…
E agora?