…Entre palavras…

Queria tanto conversar

Que pus as palavras a falar

Pousaram no meu olhar

Ofereceram metáforas à minha voz

E assim ficamos,

Partilhando ilusões

Guardando segredos entre nós.


Senti-as com vagar

Mostrando uma expressão singular

São palavras

Silêncios sós

Pensamentos que apesar de começados

Nunca terão voz para serem acabados.


Às palavras que por vezes não são ditas

Serão em poemas escritas

Terão um caminho assim

Para que nunca tenham fim…

Teremos que ser iguais?

Era uma vez

Entre tantas outras vezes

Em que abro a cortina

Para destapar o olhar

Mal dormido,

Colapsado pelo tempo

De madrugadas ensonadas

Sendo a noite pelo dia arrancada

É hora de entrar na caminhada

Pedaço por pedaço,

Em gestos que se repetem

Para sermos seres iguais

Com movimentos postiços

Para não deixar cair a perfeição

O topo íngreme da ambição

Por onde muitas vezes

O corpo se deixa levar

Entre tantas outras vezes

Segue mudo nesse deslumbrar

Vivendo uma vida contada

Sem nada para contar…