Era uma vez
Entre tantas outras vezes
Em que abro a cortina
Para destapar o olhar
Mal dormido,
Colapsado pelo tempo
De madrugadas ensonadas
Sendo a noite pelo dia arrancada
É hora de entrar na caminhada
Pedaço por pedaço,
Em gestos que se repetem
Para sermos seres iguais
Com movimentos postiços
Para não deixar cair a perfeição
O topo íngreme da ambição
Por onde muitas vezes
O corpo se deixa levar
Entre tantas outras vezes
Segue mudo nesse deslumbrar
Vivendo uma vida contada
Sem nada para contar…
