Um poema para o dia

Decidi escrever para pincelar o dia

Está um pouco tímido, sem alegria.

As palavras já aguardam o seu lugar,

Não querem perder este adjetivar.



Vestem-se de cor, confiantes ao seu jeito

Trazem versos e rimas, trajam a preceito.

O dia continua agasalhado de solidão,

As palavras querem ser poema no seu coração.


Um poema nasceu e o dia agradeceu

A luz que este lhe deu…

É outra vez verão!

É outra vez verão!

Esses dias que caminham longos

Abastecem o corpo de luz,

Abrem a porta do coração

De onde saem as palavras

Sedentas de se desnudarem

Nas marés,

Nessa força de ir mais além,

No encontro de vida

Onde o amor se deixa ir também…




É outra vez verão!

Esses dias que caminham longos,

Leves, carregados de emoção!

Sempre que me ouço falar

Sempre que me ouvires falar

As minhas mãos estarão abertas

Estendidas às palavras,

Porque nem sempre sei dizer

O que está dentro de mim

E muitas vezes sinto o olhar a calar

O fervilhar das emoções

A nudez que me veste a pele

Letra a letra,

A embriaguez dos sentidos

Que se acentuam nas sílabas

E prendem o meu desabrochar

Sempre que me ouço falar…

Rasgar o caminho

Neste lugar habitado

Num tempo constante

Jamais adiado,

Ouço a voz da terra

Firme,

Como quem comanda a vida

E rasga o caminho

Passada a passada,

Murmurando silêncios

Num rumo apressado

Sem nunca deixar o corpo tombar

Pelas horas de cansaço

Neste tempo inconstante

Por vezes desabitado

Que parece estar sempre atrasado.



Ouço a voz da terra

Presente na raiz da vida…