
O que segura a vida
Neste caminhar
Que nasce passado,
Para no futuro findar?
Um breve tempo,
Um sopro,
Até o verbo acabar…

Dá-me a tua mão
Guardei-te um lugar perto de mim.
Vamos buscar a primavera,
Trazê-la para dentro da poesia,
Aconchegá-la nas palavras que florescem
Plantá-la num canteiro de margaridas
E pedir ao sol que apareça,
Que nos traga um sorriso,
Uma luz que nos fortaleça.
Vamos buscar a primavera,
Embalados por entre as pétalas
Que rodopiam no nosso olhar.
E, quando ela finalmente quiser chegar,
Perto de mim haverá sempre
Uma réstia de saudade
A desabrochar…

A chuva toca nas vidraças das janelas,
A música ecoa dentro de casa.
Embebo-me na melodia
E viajo sem bagagem,
Entre os movimentos que o corpo solta
E o acaso,
Sem qualquer compromisso,
Alheio à idade,
Afastado da rotina.
Livre,
Simplesmente a ouvir a voz,
A voz que transparece verdade,
Feminina.
As palavras vestidas com vaidade
Despertam-me.
Enquanto a chuva bate lá fora,
Danço,
A poesia que ouço,
A poesia que escrevo…
Sou mulher
Hoje e outro dia qualquer.