Para ti, mãe

Para ti, mãe,
que gostavas tanto da primavera…

Lembro-me de esperares pela primavera
para partires.
Talvez
quisesses levar esses dias
que nascem em silêncio
e, passo a passo,
se vestem de cores e frescos odores.

Lembro-me de esperares pela primavera
para partires.
Talvez
para que as nossas lágrimas
fossem rega para as flores do teu jardim.

Como tu gostavas da primavera,
de mexer a terra e dela colher amor,
amor que semeavas com sabedoria
e simplicidade…

Relembro-te,
entre a saudade que dói,
e a saudade que se veste de vaidade
ao falar de ti…
e ao sentir que vives
em todas as minhas primaveras.

Para sempre,
a tua menina.

Versos em flor

Se faltarem palavras
neste poema,
é porque se vestiram a preceito
e foram recitar poesia.

Aprumaram as sílabas,
perfumaram os versos
e, entre o veludo das quadras,
acolheram as emoções.

Deixaram-me aqui,
com este meio jeito,
enquanto semeio flores
e aguardo uma réstia de sol
para saudar a primavera.

Sou casa

Por um qualquer lugar habitado
Estou eu,
Sem pertencer aqui
Nem a nenhum lado.

Pesa-me o caos que comigo trago
Pesa-me um certo cansaço
Pesam-me as palavras dos certos
A desfilarem sobre as minhas dúvidas.

Eu, que aqui estou,
O lugar onde me encontro
Continua habitável
Por mim,
E pela companhia da minha solidão.