O lugar que ficou

Revisito um lugar,
não um lugar qualquer,
a memória.

Vejo o rosto que brincava
entre os passos
onde moravam todos os afetos.

A infância,
esse lugar inocente
onde se falavam todas as línguas,
onde cabiam todas as brincadeiras,
onde as portas estavam sempre abertas
ao tempo e para o tempo…

Hoje sinto que esse lugar se afastou.
Talvez pela idade,
não sei,
simplesmente na memória ficou…

Como se fosse um grito

Escrevo
para preencher uma ausência,
uma folha em branco,
um grito fechado no meu coração.

Escrevo
para emparelhar a inquietação
das perguntas
presas na garganta.

Escrevo
para encontrar silêncio
dentro do meu ruído.
Para procurar sentido
na imperfeição das palavras
que não pronuncio.

Escrevo
porque, enquanto escrevo,
encontro lucidez na minha voz.