
Quero chegar até ti
Deixar de ter as mãos vazias
Colher as horas e os dias
Rasgar este tempo apressado
Levar-te um abraço apertado
E sentir nas noites vadias
O abrigo dos teus beijos
Berço de aconchego
De todos os desejos…

E de repente o outono
Retratado no tempo
Nas manhãs despidas pelo vento
Entre as folhas amarelecidas
E na chuva que vem espreitar
Os dias que se deixam encurtar.
E de repente o outono
Um novo tempo a acontecer
Gestos que amadurecem o olhar
Vontade acesa de recriar
A estação que a terra vai vivenciar
E que na pele vem pousar.

Ao fechar a porta
Recolhi o olhar
Aprisionei as palavras
Senti a solidão entrar,
Consciente de ferir o coração
E de pôr os pensamentos a hibernar
Sacudo o tempo
Salto para a vida,
Dou liberdade aos dias para voar
Guardo o que é bom de guardar
E ao abrir a porta
Sinto o vento a soprar
Até a alma arejar…

Gosto de te ver
De olhar no teu olhar sarado
Despreocupado,
Sentir as tuas mãos livres
O teu abraço apertado
Aconchegado,
Ouvir em silêncio as tuas palavras
O teu discurso letrado
Enfeitiçado,
Mergulhar no odor da tua pele
No veludo acastanhado
Perfumado,
Trocar os meus beijos pelos teus beijos
Esse sabor frutado
Apaixonado,
Gosto de dar sentido aos sentidos…

Nem sempre me acompanho
Por vezes o caminho excede o tamanho
Sinto que o tempo me leva e não me traz
Alimento os sonhos sem saber se sou capaz.
Sentido é o olhar que abre a minha alvorada
Silêncio é companheiro na minha jornada
Não temo não ter a certeza de nada
Mas quero ser eu e não viver disfarçada.
E se hoje me sinto desencontrada
Não tarda virá a madrugada
Amanhã estarei de cara lavada…