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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar

A memória embarcou no seu ondular

Nos tempos onde os sonhos

Ficavam para além do horizonte

Distantes da vista alcançar.

Hoje o olhar um pouco cansado

Encontra a felicidade deste lado

Onde as marés se juntam

E a brisa vai trazendo desejos

Neste mar aberto

Que será sempre navegado por sonhos

E banhado por beijos…

Chegou dezembro

Chegou dezembro

Frio e molhado

Procura um regaço

Um lugar aconchegado

Onde aquecer o tempo

Para sentir de novo a pele

No corpo pelo vento moldado.


Chegou dezembro

Mas a casa está vazia

Fechada e sem companhia

Não há quem a venha habitar

Faltam abraços para reconfortar

O ano está cansado e triste

A pandemia não o deixa sossegar.

Queria que soubesses…

Queria que soubesses

Que o pouso das minhas palavras

É um aconchego de sentimentos

Um esvoaçar de momentos

Um costurar de tempo

Voos de imaginação

Caminhos de liberdade

Um espreguiçar de vontade

Um alimentar de sonhos

Reencontro de lembranças

É esse quebrar de céu

Que me deixa voar

Sem ter asas…

            Queria que soubesses

Identidade

Conheço-me

De perto

Tal como sou

Entrego-me

De coração aberto

Sei o que dou,

Habito

Dentro e fora de mim

Traço novos caminhos

Mas sei de onde vim,

Colho na madrugada

Essência que se dissolve assim

Entre o silêncio do corpo

E a inocência das palavras

Cúmplices até ao fim.

…Com um sorriso…

Porque sinto a tua falta

A dor não deixa de doer

O meu olhar entristece por não te ver

E o coração empobrece por não te ter.


Porque é difícil aceitar a perda

A alma sufoca revoltada

O corpo entrega-se a uma fraqueza descontrolada

Vive-se em silêncio numa vida pesada.


Habitarás sempre dentro de mim

A tua memória irá permanecer

O teu sorriso faz o meu não desaparecer

Hoje e sempre és o irmão que não irei esquecer.


…Com um sorriso…

Passo a Passo

A cada passo

Sinto a liberdade das árvores

Invadirem o espaço que é do céu,

O rasgar do vento

Que penetra em cada momento

No agitar da folhagem

Que bate forte no silêncio

Levando e trazendo a aragem

Como se fosse roubar o pensamento.



A cada passo

Piso o chão preso pelas raízes

Que sustentam a altivez do teu corpo

E o meu olhar fica a flutuar

Entre a quietude do azul do céu

E as folhas verdes que o vão enamorar,

Pela distância tudo parece sereno

As árvores continuam crescendo

E o caminho vai-se fazendo.


Passo a Passo…

Será Verdade?

Será verdade

Que temos a memória

Talhada de pedaços

A pele carregada

Como uma silhueta de estilhaços

E o corpo vagueia

Num corredor de mentiras

Entre lapsos de tempo

Corrosão de cansaços

Lágrimas escondidas

Palavras perdidas

Horas fugidas

E promessas quebradas

Será verdade?