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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema,
escolheria palavras leves,
transparentes e coloridas,
como a alma do autor.

Um poeta madrugador,
vestido de vontade,
conjugando o olhar e o sentir,
expondo-se entre rimas e versos,
com o tempo que deixa fluir…

Nem sempre sei o que trago em mim.

Se hoje escrevesse um poema,
começaria certamente assim…

Singularidades …

Debruçada na vida,
neste espelho singular
que me traz memórias vividas,
recordo palavras ditas ao luar,
desarmadas,
em madrugadas jamais esquecidas.

Neste conjugar de pensamentos,
transporto algumas rugas na idade,
mas não faço do passado saudade.

Darei ao tempo o que é do tempo
e aos meus dias contarei histórias
que fazem a vida sorrir,
esticando o caminho de existir.

Coordenadas

Se quiseres saber de mim,
no rosto trago a essência,
o corpo veste-se de aparência,
conservo na idade alguma inocência
e dou por mim a viver assim,
na simplicidade de um olhar.

Não muito longe,
num lugar fácil de encontrar,
estarei com o sol ao amanhecer
e irei com ele ver o mar ao entardecer.

Se quiseres saber de mim…

Borboletas

Fecho os olhos no teu olhar,
estendo as minhas mãos aos teus gestos,
sinto a luz do dia penetrar
entre os corpos que se querem juntar,
como se fossem borboletas a bailar.

Neste voo,
ouve-se um silêncio a sussurrar
o amor que paira no ar,
entre a vontade de pousar
e de asas agasalhar…

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte,
dentro da minha imaginação.
Vinha bem apresentado e de caráter forte,
nada fazia prever
que as palavras que o faziam mover
eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago de paixão,
um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos,
com os meus sentidos um pouco perdidos,
pousados sob as rimas e os versos que entoava.

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer.
Era um viajante com tempo no rosto,
sem pressa de recolher.

Era um poema
como eu gostava de ser!

Feliz Ano Novo

Como se fosse o vento,
como se tivesse asas,
fecho os olhos,
corro,
voo,
avanço o tempo.

Estendo os braços,
agarro este momento
para te entregar abraços
que comigo guardei,
sabendo que hoje era o dia certo.
Abri os olhos
e com o meu olhar te abracei.

Peço ao vento que transporte a mensagem,
que a faça soar na sua viagem.

Feliz Ano Novo.

Que esvoacem as palavras

Vivemos em tempos avançados
somos pela tecnologia conectados,
mas este ano estamos confinados.

Somos revestidos de sonhos e criatividade
damos largos passos com autenticidade,
mas este ano roubaram-nos a liberdade.

Temos amor para dar e receber,
um coração enorme para entender
que neste Natal continuamos a viver.

Que as palavras esvoacem
e o mundo inteiro abracem.

A todos, um Feliz Natal!

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar,
a memória embarcou no seu ondular,
nos tempos em que os sonhos
ficavam para além do horizonte,
distantes da vista alcançar.

Hoje, o olhar um pouco cansado
encontra a felicidade deste lado,
onde as marés se juntam
e a brisa vai trazendo desejos,
neste mar aberto
que será sempre navegado por sonhos
e banhado por beijos…

Chegou dezembro

Chegou dezembro,
frio e molhado.
Procura um regaço,
um lugar aconchegado
onde aquecer o tempo
para sentir de novo a pele
no corpo pelo vento moldado.

Chegou dezembro,
mas a casa está vazia,
fechada e sem companhia.
Não há quem a venha habitar,
faltam abraços para reconfortar.
O ano está cansado e triste,
a pandemia não o deixa sossegar.