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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

A palavra das palavras

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As palavras saem pela noite
Respiram silenciosamente
Como se fossem declamar um poema,
O céu abre-se para as acolher
As estrelas cintilam em constelação
E a lua cresce ao deixar-se levar pela tentação
De ouvir as conversas que surgem na escuridão.
Sem ninguém saber
Todas as noites as palavras se reúnem
Receosas de perder o conteúdo
De ficarem vazias e a memória morrer.
Respiram saudosamente
O tempo que não precisavam de se recolher.

 

… Certa ou incerta …

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Estarei incerta ao estar certa
Que o mundo ainda nos alberga no seu lugar
Que a noite se deita em gestos brandos
Confiante de com o dia se encontrar
Que a Primavera se despede com alegria
E o verão se veste de teimosia para chegar.

Estarei certa ao estar incerta
Se os abraços ainda nos vão abraçar
Se o dia se levanta sorridente com a vida
Satisfeito de ter a noite para repousar
Que a poesia é uma metáfora de viagens
E o corpo ganha asas com o sonho de voar.

Somos dias…

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Mais um dia que amanhece
Vestido com asas
Tanto aparece como desaparece
Com pressa de chegar
Onde a felicidade se deixa apanhar.

Mais um dia que anoitece
Despido ao luar
Tanto adormece como espairece
Com vontade de sonhar
Até encontrar um lugar para pousar.

… Tranquilidade …

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Hoje o silêncio não pousou em mim.
Ouço o gemido do corpo,
que balbucia sem fim,
receoso de ter sido esquecido.

Sente-se confuso e ferido,
abraçado ainda a uma réstia de esperança
de receber a tua tranquila tranquilidade,
de silenciares os ecos de tristeza
que pesam na minha leveza.

Quero-te dentro de mim,
silenciosamente.
Assim…

 

… Fio a Fio …

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Alinhavo o olhar,
traço o sentido do coração,
costuro as linhas do tempo,
debruo, ponto a ponto,
o caminho que escolhemos caminhar.

Dou cor ao respirar,
como se estivesse a entrelaçar,
fio a fio,
o meu amor ao teu.

Assim nascem as palavras,
agarradas aos sonhos
que não deixam a vida parar.

Simplicidades…

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E o silêncio trouxe
o murmúrio do mar,
o tanto que ele quer segredar
enquanto passa o tempo,
a ir e a voltar,
como se estivesse ainda a despertar.

A manhã nasce neste silêncio,
traz consigo a serenidade,
um respirar de frescura,
o abraço entre os pássaros
que afinam o chilrear,
o sorriso das flores a desabrochar,
o veludo das pétalas
como seda de uma pele prestes a tocar,
a fragrância que envolve o olhar
faminto por um beijo desejar.

Instantes que cobrem de encanto
o corpo acabado de acordar.

Entre o murmúrio do mar
e o silêncio da manhã a acontecer,
visto-me com gestos de simplicidade
Não sei mudar de moldura,
é este o ser do meu ser.

Abrir a porta ao dia !

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E das tantas vezes que abri a porta
Nunca o dia me atraiçoou com sua cor
Hoje balbuciou a tristeza de uma noite morta
Atingida por um pesadelo preso na dor.

Descortinou o tom acinzentado do céu
Assim que o relógio bateu na madrugada
Depressa estendeu a cor da manhã como um véu
Deu ao dia a rotina por todos nós esperada.

As horas percorriam o mesmo caminho
As cores assentavam no mesmo lugar
O dia ensoalheirou, mas suspirava sozinho
O quanto desejava poder a noite abraçar.

Vestem a cumplicidade de uma amizade
Exposta entre o amanhecer e o anoitecer
Entregam-se sem quebrar a liberdade
De dar aos anos, aos meses e aos dias, ser.

Nem sempre o dia é de alegria,
Mas felicita-nos com a sua companhia
Todos os dias se abre para o dia!