
Combinei com os dias …
Vou desarrumar o corpo
Libertar a pele
Desordenar os passos
Guardar as palavras
Sossegar o pensamento
Levantar voo
Saborear o momento
Pausar no tempo…

Combinei com os dias …
Vou desarrumar o corpo
Libertar a pele
Desordenar os passos
Guardar as palavras
Sossegar o pensamento
Levantar voo
Saborear o momento
Pausar no tempo…

Só quando me vejo nos teus olhos,
Sinto a pacatez do tempo.
Imagino as horas rendilhadas,
O largar dos fios
Que outrora as mantiveram apressadas.
Encontro agora no nosso olhar
O vagar com que tecemos o tempo,
O entrelaçar das nossas mãos
No retrato que une todas as pontas
Costuradas entre os dias
Em que os corpos vão envelhecendo,
Sem deixar o tempo suspender
O abrigo que acolhe a arte de viver.
Somos olhares …

De sorriso doce,
Com o rosto amadurecido
E o corpo bem vestido,
Apresenta-se Agosto
Que nasce leve e colorido
E espera ser bem-sucedido!

Percorri todos os meus versos
Com o desejo de te encontrar
Comecei pela textura
Pelo toque que entranha na pele
Passando pela leitura
Pela quietude de cada letra
Até me envolver na doçura
No degustar das palavras
Que me levam até ti
Perdi-me…

Esqueci-me de mim,
Estou à deriva.
Sou empurrada pelo coração
Que bate para não ficar órfão.
Não quer ser levado pela maré,
Nem deixar o meu corpo afogar
Entre as margens.
Sem rumo,
Sente medo de ter que aprender
A viver dentro de outro ser.
Não me deixa partir.
Segura-me entre as suas veias
Até a minha pele voltar a acordar
E eu,
De mim, me lembrar …

A vida é um presente
oferecido neste instante.
Porquê abri-lo mais adiante?
O dia acordara cedo
Com um toque de palidez,
Talvez um pouco cansado,
Mas disposto a abrir o olhar
Deixar o sol entrar,
Sentir o orvalho a desaparecer,
Por entre as flores se esconder
E saborear a natureza a amanhecer.
A vida respira esta fragrância,
Agarra os dias sem os deixar fugir
Sacode a poeira que assenta nos ombros,
Cria asas e entrega-se a viver.

Quando o meu coração toca no teu,
Bate satisfeito contra o teu peito.
Traz o teu amor para junto do meu
Colhe, no aconchego dos teus braços,
Espaço para te oferecer os meus.
Vestimos os corpos de histórias,
E, neste silêncio,
Apenas cabe no olhar
A vontade de te abraçar.

Descalça,
Sinto os meus próprios passos
Entranhando na terra
Percorrendo as raízes
Que se desprendem
E se agarraram à liberdade
De escolher o caminho
O pisar do chão
Que molda a orientação
Sem ter medo de seguir
De colher o que está para vir.
Descalça,
Neste rasgar de tempo
Que o corpo aprende a lavrar
Sem deixar que as feridas
O deixem abrandar…

Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…

Quando o meu olhar
Pisa a vontade
Que tenho em chegar
Onde os sonhos me deixam sonhar
Não há ponto que ponha fim
Ao que habita dentro de mim…