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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

…as minhas memórias…

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Não guardes as minhas memórias
Enterra-as comigo,
Não procures entender o molde
Que um dia as uniram a mim.
De tanto se prenderem
O coração perdeu-se,
Desorientado
Sentiu-se aprisionado
Num corpo quase a desistir
Como se já fosse partir.
Retalhos cruéis
Cravados na pele
Que tornam os poros infiéis
Remetidos a um silêncio
Fechado e magoado.
Não guardes as minhas memórias
Deixa que te afague a minha ausência
Com as palavras da minha essência
E voa alto
Até encontrares o teu novo céu.

A paixão do mar

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O mar vestiu-se a preceito
Acalmou o seu jeito
Aquele ondear encrespado
Que mostra quando está insatisfeito,
Embebe-se na espuma
Vaidoso,
Encobre-se na sua bruma
Ansioso
Que a terra se desnude
Mergulhe no seu corpo
Em toda a sua amplitude
E se deixe repousar
No amor do seu mar.

A terra ouve o lamento
Transportado pelo vento
Sabe que é hora de partir
De sossegar o seu sentir,
Apressa-se,
Segue o voo das gaivotas
Leve,
Asas que pintam o azul do céu
Libertam o majestoso véu
E a pele salga-se de mar
Sente-se pronta para abraçar
A infinitude do olhar
Que une a terra e o mar.

 

Hoje é o meu dia!

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Sou como uma janela aberta
Que acolhe os olhares
Numa manhã que desperta
Se abre e se mostra
Sem pressa de chegar
À quietude dos lugares
Por onde quer passar.

Sou um pouco desse sorriso
Dessa luz que atravessa o friso
Ainda que um pouco fechada
Já o dia ilumina a casa
E os sonhos rompem pela fachada
Com vontade de esvoaçar
E da janela se libertar.

Sou as palavras que observo
Entre outras que conservo
Assentam no parapeito
Na timidez deste meu jeito
Que hoje abre a janela
Vos convida a entrar
Para o meu dia festejar.

Parabéns para mim !… 29 Julho 2018

 

Somos o caminho!

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Neste deserto povoado
Vazio,
Ecoa um silêncio agitado
Encoberto
Por um respirar sobressaltado
E um olhar desbotado
Que se estende na multidão
Carregado de solidão.
Ajustam-se os corpos
Cansados,
Sugados pelas horas
E pelos dias alimentados
Onde a memória se arrasta
Para não perder o caminho
Sendo a vontade de envelhecer
Destino constante de viver.
Somos a pele que nos abraça
Num ritmo que por vezes fracassa
Sem quebrar o rumo
Somos os sonhos que sonhamos
Qualquer a idade que tenhamos!

Entre o dia e a noite

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A noite devolveu-me ao dia
O corpo desembrulha-se para acordar
A pele ainda transpira a fragrância de sonhar
O pensamento teima em não se levantar
As palavras ainda a dormitar
Estremecem com o sol a espreitar.

Encontro-me com o espelho num breve olhar
Não lhe dou tempo para me enganar
Pinto o rosto com um sorriso singular
Poiso no corpo asas para voar
E ouso saciar a vontade de viver o dia
Até o cansar e a noite me vier buscar.

Palavras… nuas

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Agora
Que a terra rodou
E o verão timidamente chegou,
Mudo apressadamente de direção
Dou às letras diferente inclinação
Enquanto dispo as palavras
Nesta liberdade da imaginação
Para que sintam a leveza
O sorriso da natureza
Que veste a nova estação.

 

Quero ser habitada…

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Fiz de ti
A minha morada
Quero ser habitada…

A casa pode ser recatada
Caiada,
À beira mar plantada
Talvez,
Uma flor à entrada
Uma borboleta pousada
E um bando de passarada!
Uma casa iluminada
Entre sonhos
Debruada…

É para mim
A morada
Onde vou ser amada…

 

Entre o luar…

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Da janela do meu quarto
Vejo a noite já fechada
Talvez um pouco ensonada
Embrulhada na madrugada

Sinto o aroma doce do vento
Que sussurra leve ao relento
Embala a noite no pensamento

O meu olhar embriaga-se na lua
Tímida esconde a sua face nua
No corpo que cresce como míngua

O céu no aconchego do anoitecer
Rouba-me o sono para adormecer
Vejo o sol abrir o amanhecer
Da janela do meu quarto.