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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Marinheiro

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A barca já não tem proa
De tanto mar cruzar
Dia e noite a navegar
Para depressa chegar
E em teus braços se afundar.

Ancorar no teu olhar cor do mar
Ondear no teu corpo
Com as mãos molhadas e salgadas
O sabor a maresia
E o desejo de imergir
Dentro de ti até voltar a partir.

A barca já não tem vela
De tantas tempestades sofrer
Só o sonho a faz mover
A saudade de te ver
Já que escolhi o mar para viver.

A barca está partida
Tal como tu com a despedida
És o porto de abrigo da minha vida
Regresso sempre ao mesmo lugar
Seremos sempre dois a navegar.

 Na partida sou o teu marinheiro
No regresso sou o teu companheiro.

Parte de mim…

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Quando o brilho dos meus olhos se apagar
E a minha mão na tua já não tocar
É porque embarquei para outro lugar
Onde só o silêncio se consegue escutar.

Não deixes que o meu corpo perdido
Te entristeça ou te deixe deprimido
Dedica-te à vida, não te dês por vencido
Sabemos que o nosso amor fez sentido.

Não albergues no teu coração a saudade
Ela será uma sombra na tua felicidade
A tua caminhada ainda não terminou
Pelo caminho ficou alguém que te amou.

Muitos foram os poemas que te escrevi
Felizes os momentos que contigo vivi
Guardo-os em mim
Agora que parti…

Presente

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Quero ser o teu presente
Felicitar-te hoje e sempre
Desembrulhar a felicidade
Como quem ama de verdade
E não vive pela metade.

Não sou mais do que vês em mim
Hoje sou tudo, amanhã serei nada
Vou renovando a minha identidade
Não quero ser padrão na sociedade.

Nesta vida que corre como o vento
Escolhi amar pois não sei voar
Decidi que é contigo que quero estar
Celebrar cada dia e cada momento.

Quero ser o teu presente
Desata o laço com um abraço
Rasga o embrulho com orgulho
Pois eu nunca estarei ausente.

Um dia na cidade

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Entre as histórias da história
Descreve-se uma terra
Envolta de uma muralha
Ano após ano em batalha
Em guerra contra o cerco
Que ameaçava retirar o berço
A um povo destemido e bravio.

Abrem-se as portas da cidade
Vamos descer a calçada
Passar nos becos e nas ruelas
Ouvir as vizinhas junto às janelas
Do velho e colorido casario
Mais parece uma tela de aguarela
Que se estende até ao rio.

É hora de repousar o olhar
Entretanto perdido pela cumplicidade
Pelo apego às origens desta cidade
Que acolhe e recebe com simplicidade.

Vamos acostar e saborear
Um porto à beira mar
Retratar o momento
Para mais tarde relembrar!

Convite

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Convido-te a ficares comigo esta noite
A preencher o vazio deste espaço
A afugentar o silencio num abraço
Embriagar a alma que se deslumbra
Quando os nossos corpos enfeitiçados
Se unem de paixão enamorados.

Convido-te a habitares este espaço
Outrora sombrio e um pouco baço
Vamos iluminar a penumbra
Cruzar os nossos sentidos
Enquanto seres semelhantes
Saborear o prazer de sermos amantes.

Convido-te a ficares comigo
Entre o amanhecer e o anoitecer
Entre a luz e a escuridão
Entre as palavras e a inspiração
Que moram no meu coração.

Uma nova estação

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Desprendeu-se o manto que cobria o céu
Desarmado pela nudez
As nuvens caem por terra
Fazendo o sol mudar de direção
É anunciada uma nova estação.
O céu sente-se derrotado
Encobre-se e fica acinzentado
Chateado o sol deixa de sorrir e brilhar
Um novo reinado acaba de chegar!
O vento envaidecido
Sopra bem forte e destemido
Num vai e vem de movimentos
Alberga e desperta sentimentos
Tal como o cair das folhas
Uns renovam os sentidos
Outros persistem em ficar perdidos.
Até a chuva que hibernava
Cai gota a gota destilada
Traz o cheiro a terra molhada
Afoga a dor e germina amor.
A vida é uma constante mutação
Haverá sempre luz em cada estação
Quer seja no Inverno ou no verão
Sorri e vive com paixão!

Estou a caminho

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Acordei cedo
Ainda o sol se espreguiçava
Há muito que não madrugava
Mas sabe bem ver o dia nascer
Sentir o que a natureza tem para oferecer.

Despeço-me apressadamente do tempo
Embarco com o coração a transbordar de saudade
Transporto o bilhete de regresso para a felicidade
Viajo com um arco iris no olhar
Na bagagem muitos abraços para te dar.

Estou sedenta dos teus beijos
Quero rever o teu rosto e o teu sorriso
Diminuir a distância e aparecer de improviso
Vou levantar voo e sobrevoar-te
Livremente pousar no teu corpo e amar-te.

Voltei, estou aqui para ficar
Cuidar de quem me cuida e sabe amar
Qualquer que seja o destino ou o lugar
Lado a lado havemos de lá chegar.

Desassossego

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Decidi interromper a inquietude
Que me visita sem a convidar
Rouba-me espaço e por vezes desilude
Como se fosse um corpo por habitar.

Repouso o meu olhar cansado
Agoniado pelas lágrimas sufocadas
Na alma as promessas de um passado
Memórias que o coração tem gravadas.

Estremeço com o grito da solidão
Que me desperta deste lugar escuro
Acordo a tempo de mudar de direção
Despejar a dor e partir para um lugar seguro.

Recordo a minha imagem sorridente
Envolta de um corpo em liberdade
Traduz o sossego de um tempo presente
Aliado ao meu conceito de tranquilidade.

Na minha aldeia

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É dia de festa na minha aldeia
Repicam os sinos, a praça está cheia
Todos trajam os fatos de domingo
Desfilam arrojados para a plateia.

Sai a procissão do adro da igreja
Em cortejo por entre a multidão
Seguem os crentes em oração
Entre os que ficam sem devoção.

As mulheres cumprem as promessas
Os homens apreciam as travessas
Servidas nas tascas com petiscos
Onde bebem uns copos e ficam ariscos.

Regresso com saudade à minha infância
Ao dia de festa na minha aldeia
Outrora vivida com pompa e circunstância
Hoje festeja-se sem grande importância.

Ainda recordo a alegria desta tradição
O vestido novo feito para esta ocasião
O carrossel que girava em contramão
Memórias que me preenchem o coração.

Despedida

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Talvez esteja de partida, ainda não sei
Procuro ser bem acolhida
Numa terra desconhecida
Sem memórias, por onde nunca passei
Talvez seja um sonho, eu sempre sonhei
Tantas vezes converso com o tempo
Ainda hoje lhe perguntei
Como amainar a despedida
E preparar o coração para uma nova investida.
Já sinto o silêncio apoderar-se do corpo
A mente a inventariar os sentidos
Tudo é opaco em meu redor
Os sonhos foram caindo, perdidos
Não sei se fico, talvez não
É hora de sacudir os murmúrios
Sentir que tudo não foi em vão
Talvez um dia te encontre ou não…