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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Uma nova estação

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Desprendeu-se o manto que cobria o céu
Desarmado pela nudez
As nuvens caem por terra
Fazendo o sol mudar de direção
É anunciada uma nova estação.
O céu sente-se derrotado
Encobre-se e fica acinzentado
Chateado o sol deixa de sorrir e brilhar
Um novo reinado acaba de chegar!
O vento envaidecido
Sopra bem forte e destemido
Num vai e vem de movimentos
Alberga e desperta sentimentos
Tal como o cair das folhas
Uns renovam os sentidos
Outros persistem em ficar perdidos.
Até a chuva que hibernava
Cai gota a gota destilada
Traz o cheiro a terra molhada
Afoga a dor e germina amor.
A vida é uma constante mutação
Haverá sempre luz em cada estação
Quer seja no Inverno ou no verão
Sorri e vive com paixão!

Estou a caminho

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Acordei cedo
Ainda o sol se espreguiçava
Há muito que não madrugava
Mas sabe bem ver o dia nascer
Sentir o que a natureza tem para oferecer.

Despeço-me apressadamente do tempo
Embarco com o coração a transbordar de saudade
Transporto o bilhete de regresso para a felicidade
Viajo com um arco iris no olhar
Na bagagem muitos abraços para te dar.

Estou sedenta dos teus beijos
Quero rever o teu rosto e o teu sorriso
Diminuir a distância e aparecer de improviso
Vou levantar voo e sobrevoar-te
Livremente pousar no teu corpo e amar-te.

Voltei, estou aqui para ficar
Cuidar de quem me cuida e sabe amar
Qualquer que seja o destino ou o lugar
Lado a lado havemos de lá chegar.

Desassossego

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Decidi interromper a inquietude
Que me visita sem a convidar
Rouba-me espaço e por vezes desilude
Como se fosse um corpo por habitar.

Repouso o meu olhar cansado
Agoniado pelas lágrimas sufocadas
Na alma as promessas de um passado
Memórias que o coração tem gravadas.

Estremeço com o grito da solidão
Que me desperta deste lugar escuro
Acordo a tempo de mudar de direção
Despejar a dor e partir para um lugar seguro.

Recordo a minha imagem sorridente
Envolta de um corpo em liberdade
Traduz o sossego de um tempo presente
Aliado ao meu conceito de tranquilidade.

Na minha aldeia

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É dia de festa na minha aldeia
Repicam os sinos, a praça está cheia
Todos trajam os fatos de domingo
Desfilam arrojados para a plateia.

Sai a procissão do adro da igreja
Em cortejo por entre a multidão
Seguem os crentes em oração
Entre os que ficam sem devoção.

As mulheres cumprem as promessas
Os homens apreciam as travessas
Servidas nas tascas com petiscos
Onde bebem uns copos e ficam ariscos.

Regresso com saudade à minha infância
Ao dia de festa na minha aldeia
Outrora vivida com pompa e circunstância
Hoje festeja-se sem grande importância.

Ainda recordo a alegria desta tradição
O vestido novo feito para esta ocasião
O carrossel que girava em contramão
Memórias que me preenchem o coração.

Despedida

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Talvez esteja de partida, ainda não sei
Procuro ser bem acolhida
Numa terra desconhecida
Sem memórias, por onde nunca passei
Talvez seja um sonho, eu sempre sonhei
Tantas vezes converso com o tempo
Ainda hoje lhe perguntei
Como amainar a despedida
E preparar o coração para uma nova investida.
Já sinto o silêncio apoderar-se do corpo
A mente a inventariar os sentidos
Tudo é opaco em meu redor
Os sonhos foram caindo, perdidos
Não sei se fico, talvez não
É hora de sacudir os murmúrios
Sentir que tudo não foi em vão
Talvez um dia te encontre ou não…

Ao luar

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Os pássaros já recolheram
As flores já adormeceram
As luzes já se apagaram
Apenas eu e a lua
Ainda acordadas,
Encurtamos a distância
Falamos dos sonhos ainda não sonhados
Da paixão que une os namorados.

Escutamos o mexerico das estrelas
No céu escuro e cintilante
Repouso o pensamento
Apenas por um momento
Estaremos todos a sonhar?

Transporto a ilusão de toda a matéria cósmica
Albergo os segredos que partilhamos
Na igualdade de amar
A paixão que faz a lua brilhar
O amor que me permite voar
Assim continuamos,
Sorridentes até o nascer do sol chegar.

Hoje sou alfazema

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Quero ser a tua flor
Espalhar em ti o meu odor
Dizer-te bom dia com amor

Que tal um malmequer
Que bem desfolhado te quer
No meu corpo de mulher

Serei o desabrochar de uma rosa
Delicada e audaciosa
A deslizar na tua pele sedosa

Quero ser o teu jasmim
Florescer no teu jardim
Perfumar o teu corpo sem fim

Serei o teu amor-perfeito
Despida de preconceito
Aos beijos no teu leito

Talvez uma margarida
Forte e atrevida
Para colorir a tua vida

E se fosse uma hortênsia
Elegante de aparência
Sublime na essência

Hoje sou alfazema
Dedico-te este poema…

Neste verão…

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Sinto o cheiro a terra molhada
Os salpicos de chuva que caem no chão
O rodopiar do pó que penetra nos poros
A pele suada pela brisa quente de verão.
Silhueta despida que voa em liberdade
Esvoaçando sem presa, figura ousada
Cruzo o olhar enquanto desço a calçada
Sedenta pela frescura da aragem do mar
Aliada ao tempo, com tempo para apreciar
O melhor que o dia tem para me dar.
Sigo o rumo das gaivotas
De sorriso rasgado pelo vento
A retina enamorada pelo momento
Enquanto gotas perfumadas de intenso sabor
Deslizam sobre o corpo rendido ao calor.
Já sinto o cheiro a maresia
Avisto os corpos a bailar nas ondas
Embebidos em espuma e água salgada
Espelhando o brilho dos bronzeados
Outros plantados na areia cintilante
Entre conversas, jogos e brincadeira
Um pé na água, outro na espreguiçadeira.
Tenho o sol tatuado na pele
O olhar preso no azul do mar
Das mãos soltam-se os sonhos
O coração transborda de paixão
Quero mergulhar contigo neste verão!

 

Não sei o que é a poesia

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Não sei o que é a poesia
Desconheço a matéria que é composta
Linguagem inexplicável que se gosta
Tela viva de sentimentos e melodia.

Fervilhar de emoções em verso
Palavras enfeitiçadas em poemas
Sentidos que se cruzam em temas
Fragmentos espalhados pelo universo.

Não sei o que é a poesia
Será uma fragrância da literatura
Uma viagem sem fim pela cultura
Palavras despidas envoltas de ousadia.

Espantosa a realidade que me chama
Sentidas as palavras que prendem o olhar
No silêncio da alma há poemas a segredar
No coração solta-se a voz para os proclamar.

Vem comigo

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Vem comigo
Na corrente que me arrasta
Ata o teu corpo ao meu
Que ondeia ao sabor da maré
No vai e vem das ondas
Ansioso por se encontrar com o teu.
Já fui de norte a sul
Já mergulhei neste mar azul
Agora estou somente à espera que respondas
Se queres sentir este corpo salpicado de areia
Que procura ancorar antes da lua cheia.
O meu pensamento flutua
Como se num sonho embarcasse
Ao encontro de alguém que me amasse.
Estou à espera de te ver chegar
Guardo em mim muito para te dar.
Vem comigo….