
Hoje ao abrir a janela
Senti uma leve brisa a tocar-me na pele,
Cheirava a amor.
Quando sai à rua,
Senti que o meu corpo desfilava
Como se estivesse vestido de poema.

Pelo tempo que se faz sentir
Quero que saibas
Que na tua ausência
Não há sol,
As manhãs nascem viúvas
Enterradas em solidão.
As palavras são escassas,
E as tardes escondem-se nas chuvas
Nas horas que trazem a escuridão.
Quero que saibas
Que a tua presença
Traz aos dias a diferença
Do tempo que se faz sentir…

Amanheceu o outono
A manhã ainda se espreguiça
E as nuvens parecem ter adormecido.
O dia caminha a passo lento,
Talvez até um pouco abatido,
Mas, contrariando a direção
O outono chega firme e decidido.
No olhar dos nossos olhos
Há pressa na paisagem,
Parece haver um breve abandono
As folhas vão caindo
Deixando as arvores despidas,
As conversas viram de página
Ganhando um novo sentido,
A estação entra num novo horizonte
A vida segue vida,
Ao encontro da outra margem…

Da minha janela vi um vento que desconhecia
Não sei se chegava ou partia,
Voava alto,
Arranhava o céu
Rodopiava certo dos movimentos que fazia,
Mostrava leveza e sabedoria,
Arrastava uma aragem bem arrumada.
A minha janela ganhou outra dimensão
A casa ficou mais iluminada,
Senti que o meu olhar já não me pertencia
E o corpo caminhava em outra direção
Despindo a preocupação
Empurrando o pensamento
Para viajar nas asas deste vento.

Olá, julho,
O dia ainda amanhece…
Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes contigo festejar. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!
A vida é um regaço de emoções…. É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.
Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente … o meu quadragésimo nono aniversário.
Obrigada, julho!

Os dias vão passando,
O corpo passeando,
Mas o amor reclama a distância.
Os passos que trazem o teu olhar
Até ao meu, cansado de esperar
Pelos beijos que em mim semeias
E pelos gestos que me dilatam as veias,
Sempre que ceifamos a saudade
Entre os dias que vão passando
E o amor que vamos debulhando…

Decidi escrever para pincelar o dia
Está um pouco tímido, sem alegria.
As palavras já aguardam o seu lugar,
Não querem perder este adjetivar.
Vestem-se de cor, confiantes ao seu jeito
Trazem versos e rimas, trajam a preceito.
O dia continua agasalhado de solidão,
As palavras querem ser poema no seu coração.
Um poema nasceu e o dia agradeceu
A luz que este lhe deu…