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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Silhueta de domingo

Silhueta de domingo
embalada pelo mar,
o meu olhar naufraga
nos teus passos asseados
quando te vejo passar…

Não há sombra no teu caminho,
trazes luz
que se estende ao horizonte
até o sol parece brilhar mais.

Só eu, neste silêncio ondulado
onde permaneço afundado,
querendo um dia ser cais
de todos os teus domingos…

… O caminho do olhar…

A tarde ficou calada,
só a chuva, que vai caindo,
preenche o vazio do silêncio.

E eu, aqui sentada,
sinto que o olhar já continuou caminho,
não se deixa repousar
nem se entrega ao abandono do corpo,
veste bem as horas
não é a chuva que vai caindo
que lhe desbota o brilhar!

Na tua ausência

Pelo tempo que se faz sentir
quero que saibas
que na tua ausência
não há sol,
as manhãs nascem viúvas
enterradas em solidão.

As palavras são escassas,
e as tardes escondem-se nas chuvas
nas horas que trazem a escuridão.

Quero que saibas
que a tua presença
traz aos dias a diferença
do tempo que se faz sentir…

Amanheceu o outono

Amanheceu o outono
a manhã ainda se espreguiça
e as nuvens parecem ter adormecido.

O dia caminha a passo lento
talvez até um pouco abatido,
mas contrariando a direção,
o outono chega firme e decidido.

No olhar dos nossos olhos
há pressa na paisagem,
parece haver um breve abandono,
as folhas vão caindo,
deixando as árvores despidas,
as conversas viram de página
ganhando um novo sentido.

A estação entra num novo horizonte,
a vida segue vida,
ao encontro da outra margem…

Queria apenas ser vento…

Da minha janela vi um vento que desconhecia
não sei se chegava ou partia,
voava alto,
arranhava o céu
rodopiava certo dos movimentos que fazia,
mostrava leveza e sabedoria,
arrastava uma aragem bem arrumada.

A minha janela ganhou outra dimensão,
a casa ficou mais iluminada,
senti que o meu olhar já não me pertencia
e o corpo caminhava em outra direção,
despindo a preocupação,
empurrando o pensamento
para viajar nas asas deste vento.

É dia de festejar!

Olá, julho,

O dia ainda amanhece…

Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes festejar contigo. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho, a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!

A vida é um regaço de emoções… É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.

Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente… o meu quadragésimo nono aniversário.

Obrigada, julho!