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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Divagando

Poesia…

Que trago de dentro para fora

Que se ramifica em todas as minhas divisões

Pousa em todas as frestas

Cobre muitos dos meus silêncios

Respira no bater das minhas emoções,

Não sei se a levarei quando for embora

Talvez também não seja preciso,

Será porta que se fecha

Ou será abrigo para um sorriso

No interior de muitos corações?

…Poesia

…Escrever um poema…

Se tivesse que escrever um poema

Seria com certeza sobre o mar

Porque navego em rotas desconhecidas

Deixo que o vento me leve e me alimente a ilusão

Descubro-me em palavras que achava perdidas

Nem sempre em terra firme encontro imaginação.



O mar é um horizonte aberto

O coração embarca como viajante

Tendo a liberdade como direção

Os poetas seguem maré,

Transportam as palavras com o olhar confiante

Mergulham o amor em poemas de paixão.



Se tivesse que escrever um poema

Seria com certeza num barco a navegar…

Dama

Já lhe passaram pelo rosto

Muitas madrugadas

Muitas sílabas mal contadas

Finge sem saber fingir

Facilmente lhe apanham o sentir

É dama,

Rodopia sem posar

Os holofotes não lhe alcançam o olhar

Procura na luz caminho para andar

Não é alimento para a fama,

Mostra-se sem se mostrar

É comprometida com tudo o que ama

É dama,

Facilmente lhe apanham o sentir

Porque vai deixando as palavras cair

No regaço de poemas

Sabendo que não são colo de plateias

São rimas que lhe percorrem as veias…

…Entre palavras…

Queria tanto conversar

Que pus as palavras a falar

Pousaram no meu olhar

Ofereceram metáforas à minha voz

E assim ficamos,

Partilhando ilusões

Guardando segredos entre nós.


Senti-as com vagar

Mostrando uma expressão singular

São palavras

Silêncios sós

Pensamentos que apesar de começados

Nunca terão voz para serem acabados.


Às palavras que por vezes não são ditas

Serão em poemas escritas

Terão um caminho assim

Para que nunca tenham fim…

Teremos que ser iguais?

Era uma vez

Entre tantas outras vezes

Em que abro a cortina

Para destapar o olhar

Mal dormido,

Colapsado pelo tempo

De madrugadas ensonadas

Sendo a noite pelo dia arrancada

É hora de entrar na caminhada

Pedaço por pedaço,

Em gestos que se repetem

Para sermos seres iguais

Com movimentos postiços

Para não deixar cair a perfeição

O topo íngreme da ambição

Por onde muitas vezes

O corpo se deixa levar

Entre tantas outras vezes

Segue mudo nesse deslumbrar

Vivendo uma vida contada

Sem nada para contar…

Reflexão

Aprendi a ser
Ciente de bem escolher
Não sei como nem quando
Deixou de fazer sentido
Olhar para um rosto de verdade
Sentir respeito pelo bem feito
Viver a essência e não a aparência.
Não sei…
Como nem quando trocaram os verbos
Desconheço a conjugação,
Por mais tempo que dedique a esta reflexão
Não sei como acompanhar os passos
Neste caminho estilhaçado em pedaços
Onde se atropela a identidade
E a vida se vive pela metade.

…Pelo escuro da noite…

Pelo escuro chegam as insónias

Descobrem na noite

O sossego para a sua inquietação,

O espaço fica frio e sombrio

Rodeado de solidão,

E o meu corpo torna-se abandonado

Indefeso,

Sem saber lidar com a situação

Entre voltas e voltas

Cubro-me de palavras

Certa que a manhã vai acordar

Com o meu corpo a erguer-se devagar

Mas provavelmente,

Com o nascer de um poema

Acabado de imaginar…

Chegada da Primavera

Chega leve e descontraída

Como sempre bem parecida

Envolvida no seu jeito

Com um desfilar perfeito

Traz na bagagem

O sorriso dos dias

O findar das horas sombrias

A fragrância das palavras

Que esvoaçam do coração

Soltas, livres para acolher a nova estação

Com a ousadia de seguir viagem

Aceitando a leveza da tua aragem.