Como um livro de poesia

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O corpo ainda se enrosca a dormitar
Já as palavras começam a pestanejar
Cúmplices com a vontade de despertar
O olhar que se vai estender a outros olhares
Escutando o silêncio
Com que a vida vem beijar
O dia que se inicia…

…Por entre as mãos voam segredos
Que o tempo molda e acaricia
E o dia abre-se à vida
Como um livro de poesia.

Entre fragrâncias…

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Toca-me,
Como se tocasses a fragrância da madrugada
Sob a nudez da minha pele entornada
Por entre as linhas do meu corpo espalhada
Como se fosse poesia declamada
Por entre as tuas mãos dedilhada
Sinto-me,
O sentido da palavra
Inteiramente perfumada!

Que posso eu ser?

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Estranho
Esta estranheza
Que carrego sobre os ombros
Doridos,
Deixam tombar os desejos
Jã não sustentam a brisa
Que abre a beleza do dia.
De nada me servem as palavras
Que outrora me moviam
Comigo permaneciam
E sempre me comoviam.
Quisera eu ser poeta
Construir um mundo
Onde tudo cabia.
Certa
Desta certeza
Dediquei-me à poesia,
Agora,
Presente neste mundo
Ausente de palavras
Que posso eu ser?

Por acaso…

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As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.

As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.

Na minha gaveta…

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Em silêncio
Escutei a solidão
O lamurio das palavras
Fechadas na gaveta
Letra após letra
Dispersas na imensidão
Inquietas e com medo
De perder o abrigo
O sentido da imaginação.

Tenho um espaço aberto
Que acolhe sensações
Onde visto de cor as letras
Dou asas às emoções
Esvoaço como borboleta
Embalo-me nas palavras
Que tiro da minha gaveta
Sem medo
Que a poesia me comprometa.