
A porta está aberta
Está à espera…
À espera de se fechar
Na curva do caminho,
Atrás da sombra de um corpo inteiro,
Enroscado por entre a luz inesperada
Que se acende com a tua chegada.
A porta está aberta
À espera de se fechar…

E o tempo passa aceleradamente
E a saudade fica lentamente
Entre o vazio e a dor que ainda vence
Nada preenche o espaço que te pertence.
Somos feitos de vida para a vida
Remendo os dias para saciar a tua partida
Tantas vezes o corpo é uma colorida fachada
De uma sombria tristeza albergada.
Não há palavras que curem uma despedida
Há momentos que cicatrizam a ferida
A raiz do nosso amor não deixará de crescer
Para mim o teu sorriso jamais irá falecer.
Para ti,
Querido irmão.

Porque a morte abre uma ausência
Um vazio difícil de sustentar
Cicatrizes que ficam
Amarradas ao corpo
Sem remédio para curar
Só o tempo para remediar
A ferida que parece nunca mais sarar.
O teu espaço será sempre guardado em mim
Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração
E tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.
Para ti
Querido irmão

Porque sinto a tua falta
A dor não deixa de doer
O meu olhar entristece por não te ver
E o coração empobrece por não te ter.
Porque é difícil aceitar a perda
A alma sufoca revoltada
O corpo entrega-se a uma fraqueza descontrolada
Vive-se em silêncio numa vida pesada.
Habitarás sempre dentro de mim
A tua memória irá permanecer
O teu sorriso faz o meu não desaparecer
Hoje e sempre és o irmão que não irei esquecer.
…Com um sorriso…

Saudade
Traz o vento pelos campos
Neblina de beijos,
Desfolhando a terra
Verdejante madrugada,
Que após noite cerrada
Traz no olhar a vontade
De ceifar a saudade
No corpo da sua amada.

Enquanto aguardo ver-te chegar
Soletro o tempo para que passe devagar
Vejo o dia a caminhar para o mar
Como se lá se fosse aconchegar.
Enquanto aguardo ver-te chegar
Vou tecendo abraços para te dar
Guardo uma réstia de sol no olhar
Para que sintas o dia sem ele findar.
Parece que tudo avança em segredo
As flores escondem-se e deixam de florir
O vento acelera o passo e decide partir
As portas fecham o dia para este dormir.
Soa no meu rosto a dor de não te encontrar
Sei que a saudade não te faz voltar
Quase levaste o meu coração para esse lugar
Mas a vida ainda me chama para continuar.
Um dia vou ver-te chegar…

Se eu soubesse da tua visita
Tinha pedido ao sol para brilhar
Às flores para desabrochar
E em vez do meu vestido de chita
Cobria-me com a tua cor favorita.
Se eu soubesse da tua chegada
Tinha escondido o rosto da saudade
Para que me pudesses ver de verdade
E em vez de a casa estar vazia e fechada
Ousaria estar iluminada e perfumada.
Ainda assim, queria que soubesses
Que o meu olhar não para de brilhar
O coração atropela-se para te abraçar
Feliz por teres voltado ao lugar
Onde um dia o amor nasceu para amar.

Não sei o que dizer
Tão pouco o que sentir
Se não a vontade de despir
O peso entranhado
Nos ossos
Neste corpo pesado
Onde já nada cabe
Se não a dor da saudade.
Difícil carregar o lugar
Que alberga o despertar
E sustenta o repousar
Das fragilidades da realidade.
O coração
De tão dorido
Sente-se triste e empobrecido
Ainda assim,
Ajeita-se no seu modo de ser
Vagueia,
Mas não se dá por vencido
Recorda a tua força de viver
Ordena a desordem
Nas emoções de te ter perdido
E num fechar de olhos
Abro um sorriso
A todos os teus sorrisos…

Não guardes as minhas memórias
Enterra-as comigo,
Não procures entender o molde
Que um dia as uniram a mim.
De tanto se prenderem
O coração perdeu-se,
Desorientado
Sentiu-se aprisionado
Num corpo quase a desistir
Como se já fosse partir.
Retalhos cruéis
Cravados na pele
Que tornam os poros infiéis
Remetidos a um silêncio
Fechado e magoado.
Não guardes as minhas memórias
Deixa que te afague a minha ausência
Com as palavras da minha essência
E voa alto
Até encontrares o teu novo céu.