…Entre aromas…

Recolhi os aromas da minha infância,
semeados na cadência do tempo.
Com eles soltaram-se os sonhos,
os segredos soletrados às estrelas,
a inocência da idade
que voava nas asas do vento.

Cada dia tinha um sabor,
um novo alento,
e as horas pousavam devagar,
livres,
dentro do meu olhar.

Guardo esta cumplicidade
com saudade…

…Com um sorriso…

Porque sinto a tua falta,
a dor não deixa de doer,
o meu olhar entristece por não te ver
e o coração empobrece por não te ter.

Porque é difícil aceitar a perda
a alma sufoca revoltada,
o corpo entrega-se a uma fraqueza descontrolada,
vive-se em silêncio numa vida pesada.

Habitarás sempre dentro de mim
a tua memória irá permanecer,
o teu sorriso não deixa o meu desaparecer,
hoje e sempre és o irmão que não irei esquecer.

…Com um sorriso…

Não sei como te dizer…

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Não saberei como te dizer
que o olhar que vês nos meus olhos
são lembranças
que caem aos molhos
no corpo vestido de saudade,
pelo tempo que costurava as horas
ponto a ponto,
sem grandes demoras.

E o olhar respirava a fragrância do dia
até lhe sentir o sabor.

Não sei bem como te dizer…

Enquanto somos vida…

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Enquanto aguardo ver-te chegar
Soletro o tempo para que passe devagar
Vejo o dia a caminhar para o mar
Como se lá se fosse aconchegar.

Enquanto aguardo ver-te chegar
Vou tecendo abraços para te dar
Guardo uma réstia de sol no olhar
Para que sintas o dia sem ele findar.

Parece que tudo avança em segredo
As flores escondem-se e deixam de florir
O vento acelera o passo e decide partir
As portas fecham o dia para este dormir.

Soa no meu rosto a dor de não te encontrar
Sei que a saudade não te faz voltar
Quase levaste o meu coração para esse lugar
Mas a vida ainda me chama para continuar.

Um dia vou ver-te chegar…

 

Para amar

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Se eu soubesse da tua visita
Tinha pedido ao sol para brilhar
Às flores para desabrochar
E em vez do meu vestido de chita
Cobria-me com a tua cor favorita.

Se eu soubesse da tua chegada
Tinha escondido o rosto da saudade
Para que me pudesses ver de verdade
E em vez de a casa estar vazia e fechada
Ousaria estar iluminada e perfumada.

Ainda assim, queria que soubesses
Que o meu olhar não para de brilhar
O coração atropela-se para te abraçar
Feliz por teres voltado ao lugar
Onde um dia o amor nasceu para amar.

Não sei o que dizer…

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Não sei o que dizer
Tão pouco o que sentir
Se não a vontade de despir
O peso entranhado
Nos ossos
Neste corpo pesado
Onde já nada cabe
Se não a dor da saudade.
Difícil carregar o lugar
Que alberga o despertar
E sustenta o repousar
Das fragilidades da realidade.
O coração
De tão dorido
Sente-se triste e empobrecido
Ainda assim,
Ajeita-se no seu modo de ser
Vagueia,
Mas não se dá por vencido
Recorda a tua força de viver
Ordena a desordem
Nas emoções de te ter perdido
E num fechar de olhos
Abro um sorriso
A todos os teus sorrisos…

 

…as minhas memórias…

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Não guardes as minhas memórias
Enterra-as comigo,
Não procures entender o molde
Que um dia as uniram a mim.
De tanto se prenderem
O coração perdeu-se,
Desorientado
Sentiu-se aprisionado
Num corpo quase a desistir
Como se já fosse partir.
Retalhos cruéis
Cravados na pele
Que tornam os poros infiéis
Remetidos a um silêncio
Fechado e magoado.
Não guardes as minhas memórias
Deixa que te afague a minha ausência
Com as palavras da minha essência
E voa alto
Até encontrares o teu novo céu.

Para sempre…

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É quando o dia se entrega
Ao silêncio da noite
Que se desmorona a fortaleza
Cai o escudo
Que protege a fraqueza
Abre-se a ferida
Que não cicatriza
Não esquece a tua partida.
Não fiques triste
Com a minha tristeza
Ainda estou a aprender
A olhar-te sem te ver
A falar sem te ouvir
A sorrir para o teu sorriso
Sempre à procura do sentido
De um sopro que acomode
A dor do acontecido.
A cada amanhecer
Se ergue uma muralha
Visto-me para a batalha
Invento-me,
Até um dia conseguir despir
Este sentimento
E abrir o meu coração
A todos os nossos momentos…

Hoje e sempre,
Meu querido irmão

Com saudade

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Agarrei numa folha de papel
E escrevi a saudade
Que transpira da minha pele
O cheiro que não se evapora
Que me cobre a alma
E me veste o pensamento
Sob o corpo nu e sedento
Que permanece em silêncio
Desde a tua partida até agora.
Escrevo a saudade
Com palavras magoadas
Deixadas ao acaso
Na minha folha de papel
Abandonadas
Com saudade.