Em desalinho

dark road

Já não sei o que sinto
Já não sei o que é sentir
Tenho as mãos vazias
O corpo preso à dormência
A dor que se apodera da minha existência.

Vagueio por um caminho já extinto
Perdida e em desalinho
Tenho o medo como companhia
O corpo rendido a uma falsa calma
Que me faz adormecer a alma.

Já nada me importa
Não sei se alguma vez me importei
Tenho o coração a sangrar
O corpo sem força de existir
A falência dos sentidos que me faz desistir.

Solidão

campoDa janela do meu quarto
Vejo os campos em flor
As árvores a crescer
O entristecer do entardecer
Quando o sol teima em desaparecer.
Da janela do meu quarto
Sinto uma réstia de luz a entrar
Num corpo sonâmbulo a vaguear
Entre o crepúsculo e o falso acordar.
Tudo se perde na escuridão da noite
Da janela do meu quarto
Já não vejo as árvores e os campos em flor
Apenas um vazio que ecoa a dor
Num silêncio e escuro perturbador.
Fecho os olhos e alimento a ilusão
De não sentir a presença da solidão
A sombra que a tua ausência deixa mim
Impaciente para que esta noite chegue ao fim.

O que importa…

baloiçoO que importa ter o chão
Se não tens como o pisar
O que importa ter o céu
Se não há estrelas a brilhar
O que importa ter o mar
Se não o sabes admirar
O que importa sentir amor
Se não tens com quem o partilhar
O que importa ter
Se não sabes dar
O que importa voar
Se não sabes sonhar
O que importa viver
Se não sabes ser
O que importa é saber
Viver.

Perfil

Abri a minha caixa de Pandora…

Para mim tem um significado especial, não pretendo lançar nada de mal ao mundo, apenas partilhar o prazer que sinto pela escrita.

…não sou mais do que aquilo que vês em mim,
se gostas do que vês, então faz-me sabe-lo…