Que posso eu ser?

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Estranho
Esta estranheza
Que carrego sobre os ombros
Doridos,
Deixam tombar os desejos
Jã não sustentam a brisa
Que abre a beleza do dia.
De nada me servem as palavras
Que outrora me moviam
Comigo permaneciam
E sempre me comoviam.
Quisera eu ser poeta
Construir um mundo
Onde tudo cabia.
Certa
Desta certeza
Dediquei-me à poesia,
Agora,
Presente neste mundo
Ausente de palavras
Que posso eu ser?

Hoje é o meu dia!

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Sou como uma janela aberta
Que acolhe os olhares
Numa manhã que desperta
Se abre e se mostra
Sem pressa de chegar
À quietude dos lugares
Por onde quer passar.

Sou um pouco desse sorriso
Dessa luz que atravessa o friso
Ainda que um pouco fechada
Já o dia ilumina a casa
E os sonhos rompem pela fachada
Com vontade de esvoaçar
E da janela se libertar.

Sou as palavras que observo
Entre outras que conservo
Assentam no parapeito
Na timidez deste meu jeito
Que hoje abre a janela
Vos convida a entrar
Para o meu dia festejar.

Parabéns para mim !… 29 Julho 2018

 

Somos o caminho!

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Neste deserto povoado
Vazio,
Ecoa um silêncio agitado
Encoberto
Por um respirar sobressaltado
E um olhar desbotado
Que se estende na multidão
Carregado de solidão.
Ajustam-se os corpos
Cansados,
Sugados pelas horas
E pelos dias alimentados
Onde a memória se arrasta
Para não perder o caminho
Sendo a vontade de envelhecer
Destino constante de viver.
Somos a pele que nos abraça
Num ritmo que por vezes fracassa
Sem quebrar o rumo
Somos os sonhos que sonhamos
Qualquer a idade que tenhamos!

O que vês?

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Olha para mim
O que vês?

Um pedaço de céu
Num dia encoberto
Outro de sorriso aberto
Que nasce na claridade
Certa de querer voar alto
Desprender-me do véu
Amadurecer o pensamento
Tecer um sopro de felicidade
E espalha-lo com o vento.

Olha para mim
O que vês?

Um braço de mar
Num navegar destemido
Para a bom porto chegar
Mergulhar na profundidade
Na transparência da verdade
Libertar o olhar no horizonte
Deixa-lo ir nas marés
Na força das águas
Que moldam o sentido.

Olha para mim
O que vês?

Um pouco da terra
Que a terra me oferece
Raiz presa à vida
Dia a dia que amadurece
Semente que baila no ar
Palavras que guardo
Colhidas entre cada soletrar
Sou asa que poiso
Onde houver amor para amar.

Olha para mim…

Pedaços de mim…

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Pedaços de mim
Caídos em palavras
Por vezes desencontradas
Onde mostro o meu rosto
Com a tinta que escrevo
Embriago o meu corpo
No trago da poesia
Que com o olhar bebo.
Leio-me em cada pedaço
Em cada folha que guardo
Entre outras que desfaço
Em pedaços…

Como sou…

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Por vezes tenho essa vontade
De suspender o tempo
E viver como que distante
Riscar o vai e vem
O engolir constante
Das coisas formatadas
Vividas em vidas aprisionadas
Com as horas ritmadas.

Por vezes tenho essa vontade
De não ser hoje nem amanhã
Calar a razão
Sem a condição de ter que ser
Não me apetece obedecer
À certeza dos certos
Caminho a par com a incerteza
Certa de encontrar a minha leveza.

Por vezes tenho essa vontade
De ir longe ficando por perto
Vestir o rosto de sorriso aberto
Não deixar os dias embrulhados
Ainda que tristes ou amuados
Transporto-os na minha ilusão
E com eles vou
Tal e qual como sou….

Confidências…

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“Não sou mais do que vês em mim
Tracei um caminho que me levou
E me libertou num poema assim…”

 

Hoje sou o que nunca fui
Trago no olhar o que nunca vi
Encontrei palavras que nunca esqueci
Relembrei sonhos que ficaram por aí
Esquecidos, talvez perdidos
Entre pedaços de caminhos percorridos.
Ontem fui o que hoje sou
Rosto que o tempo transformou
Abraços que o vento levou
Silêncios que o coração libertou.
Sou o amanhã e para onde vou
Levo comigo a raiz que brotou
Sem medo do que para trás ficou
Importa o agora e com quem estou
Caso o amor que recebo com o que dou.

Como se fosse uma janela

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Abro a madrugada
Como se fosse uma janela
Que conspira com o olhar
Espanta o escuro e a sombra
Num enredo com o corpo
Faz os sentidos desabrochar.

Na luz ténue do nascer do dia
Cubro a pele com a minha existência
Alicerce que segura o tempo
Sem perder o saber do ser
Rasgo um sorriso de esperança
Alimento a vida que me faz viver.

Abro a janela
Como se abrisse a madrugada
Debruço-me no caminho
Que será a minha caminhada…

 

Entre incertezas…

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Sou feita de tantas incertezas
Com certeza nem sei quem sou
Guardo pedaços de existência
Para não perder a inocência
Da idade que o corpo
Carrega para onde vou.

Não consigo saciar a vontade
De pousar em todas as palavras
Tudo o que é estranho entranha
Preencho os dias de silêncios
Memorizo todos os olhares
Retrato-me em múltiplos lugares.

Percorro passos certos
Que me levam a destinos incertos
Encontro sentidos há muito perdidos
Remendo partes de mim
Na incerteza que me cobre o ser
Há uma luz que nunca se irá perder.