Será?

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Lembras-te…
Do sorriso que embriagava o teu riso, tantas vezes aparecia de improviso, a gargalhada que enfeitava o meu rosto… como os nossos braços abraçavam o tempo que passava, sem pressa, cúmplice do nosso tempo, onde repousávamos os corpos e saboreávamos os beijos entre os desejos que ponhamos a amadurecer, sempre que íamos ver o sol-posto ao entardecer.
Lembras-te?
Como era fácil rodopiar com o vento e voar na sua liberdade.
Já não encontro mais esse tempo, terá fugido de mim?
Todos os meus espaços estão agora ocupados, até o riso parece ter perdido o juízo, esconde-se deprimido.
Olho para o tempo e já não o reconheço… é como se caminhasse do avesso.
Será que o vento mudou de direção ou simplesmente se tornou travesso à cumplicidade do nosso coração…
Será?

O dia abre-se…

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O dia abre-se
Silencioso,
Enquanto o meu corpo pestaneja
Ansioso,
Pela chegada de luz
Que traduz o acordar.
Rendo-me à leveza
Ao sossego da natureza
Que desperta à hora certa
E entra na janela do meu peito
Pelo quarto ainda meio desfeito
Convencendo este meu jeito
A desabrochar o olhar
Para acompanhar o tempo que escorre
Límpido e sereno
Em cada dia que nasce
E se veste para se renovar.

Sonhos que sonho

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Perdi a noite dentro de ti
Adormeci o meu corpo no teu
Não sei quantos sonhos vivi
Acordei o teu dia ao lado meu.

Guardei o meu amor dentro de ti
Cobri a minha pele na tua pele
Não sei quantos lugares percorri
Para viver a história deste papel.

Agora que descobri o caminho
Sossego o meu coração
Sonho nessa direção…

O meu horizonte

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Traço o meu horizonte
Sem margens,
Espaço aberto a novas viagens
Onde o caminho é longo
O existir é curto,
Esgravato o tempo
Estico o olhar para lá chegar
Venho sem pressa,
Do outro lado da terra
Comigo trago a vontade
De encontrar um mar
Uma linha onde atracar
A vida que levo a navegar.

Antes que …

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Guardo o silêncio da solidão
Antes que o barulho se alastre
E se aloje no coração

Adormeço a tristeza
Antes que o manto desperte
E acorde a minha leveza

Recolho as palavras perdidas
Antes que se sintam órfãs
E se isolem deprimidas

Apago a sombra da minha voz
Antes que fuja a poesia
E os sonhos acabem sós

Limpo o corpo do cansaço
Antes que se estenda pela alma
E se aproprie do meu espaço

Costuro as minhas memórias
Antes que o tempo as perca
E não as conte como histórias

Revelo o retrato dos dias
Antes que as cores desbotem
E a rotina me roube as alegrias

Antes que a brisa me leve
Verto a linguagem que traduz a essência
O refúgio da minha existência.

 

Às vezes…

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Às vezes
Adormeço o olhar
Num sono profundo
Só de olhos fechados
Escuto os segredos
Que trago dentro de mim
E iluminam o meu acordar.

Às vezes
Rasgo o horizonte
Num denso navegar
Nesta sede que não tem fim
De coração aberto
Para os que vivem
Dentro do meu olhar.

Às vezes
Trago na voz
As palavras do meu olhar…

 

No nosso tempo…

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Interrompo o tempo
Cada vez que fecho os olhos
E abro o corredor da memória
Onde guardo a simetria
Dos dias e dos anos
Que cobrem a nossa história.
O tempo não para de correr
Em sintonia com a vontade
De conjugar a felicidade
No estender das palavras
Que continuamos a escrever
No nosso tempo…

Envelhecer

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As folhas vão caindo
Quem sabe desistindo
Daquilo que as prende à natureza
Também os anos vão tombando
E a beleza derrubando
Porém,
A vida ensina-nos
A acrescentar amor
À idade que vamos somando
E força para continuar a crescer
Na arte de envelhecer.

… Enquanto as folhas vão caindo…

…as minhas memórias…

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Não guardes as minhas memórias
Enterra-as comigo,
Não procures entender o molde
Que um dia as uniram a mim.
De tanto se prenderem
O coração perdeu-se,
Desorientado
Sentiu-se aprisionado
Num corpo quase a desistir
Como se já fosse partir.
Retalhos cruéis
Cravados na pele
Que tornam os poros infiéis
Remetidos a um silêncio
Fechado e magoado.
Não guardes as minhas memórias
Deixa que te afague a minha ausência
Com as palavras da minha essência
E voa alto
Até encontrares o teu novo céu.

Hoje é o meu dia!

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Sou como uma janela aberta
Que acolhe os olhares
Numa manhã que desperta
Se abre e se mostra
Sem pressa de chegar
À quietude dos lugares
Por onde quer passar.

Sou um pouco desse sorriso
Dessa luz que atravessa o friso
Ainda que um pouco fechada
Já o dia ilumina a casa
E os sonhos rompem pela fachada
Com vontade de esvoaçar
E da janela se libertar.

Sou as palavras que observo
Entre outras que conservo
Assentam no parapeito
Na timidez deste meu jeito
Que hoje abre a janela
Vos convida a entrar
Para o meu dia festejar.

Parabéns para mim !… 29 Julho 2018