Hoje, amanhã e depois…

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Hoje enquanto espero pelo amanhã
Quero dar asas ao tempo e com ele voar
Hoje não sei quem sou, talvez o tempo me faça lembrar.
Olho em frente e deixo-me ir no tempo presente
Estou na estrada do sonho, deslizando pela corrente.
Quero reinventar os espaços, soltar o eco da minha voz
Mostrar que existo, saborear o tempo que passa por nós.
Seguirei o caminho até ti chegar
Embalada nas palavras que te irei pronunciar.
Quero os meus lábios nos teus tocar
Entregar o meu corpo ao deslizar das tuas mãos
Como quem acosta numa tempestade de paixão
Se preenche lentamente sufocando a respiração.
Quero ser a pétala da tua fragrância
A essência que te envolve os sentidos
Misturar o perfume dos corpos
Absorvidos em gestos destemidos.
Quero pintar o tempo contigo
Hoje, amanhã e depois
Colorir o amor que existe entre nós dois!

Encontro

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Não sei que dia é hoje
Perdi-me na contagem das horas
Talvez seja um daqueles que sempre demoras
Enquanto eu espreito pela janela o horizonte
Escuro e vazio, sem nada que se conte
Apenas o tempo, que corre sem pressa
Me faz companhia sem qualquer promessa,
Nem compromisso de um dia voltar
E ainda me encontrar naquela janela a olhar.
Vagueio na sombra deste quarto silencioso
Com o tique taque do coração ansioso
Mais parece um vício que consome
Uma ferida que dói e destrói
Num filme dramático sem herói.
Que busca infindável é esta?
Entre cada partida e chegada
Descobri que não há lugar para mim
Cheguei atrasada, a lotação estava esgotada.
Tanta espera, tanta espera para nada.
Fiquei perdida algumas vezes
Atada ás teias do ser humano
Ecos de um comportamento insano
Transformados em seres por engano.
Ainda haverá tempo para mim?
Corro depressa para reinventar os sentidos
Não espero mais pelos minutos perdidos.
Estou a caminho, saberás de mim
O trilho da felicidade é longo
Hoje sei que não tem fim.

Longa caminhada

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Que longa é a caminhada
Que íngreme o trilho que tracei
Tanto pó no corpo levei
Sem nunca abandonar a estrada.

Como era denso o horizonte
Trémula a minha imagem
De sol a sol recebia coragem
Saciava o cansaço em cada fonte.

No silêncio uma teia confusa
Subtil emaranhado no pensamento
Percorro esta terra sem movimento
Ausente de vida como se fosse reclusa.

Estou prestes a chegar
Já avisto o arco-íris colorido
Outrora cinzento e escondido
Hoje deu lugar ao sol para brilhar.

Já sinto o teu olhar, o som da tua voz
Acordei presa a muitos laços
Tantos como os teus abraços
Festejo a vida, brindemos a nós.

O meu lar…

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Espreito pela janela entreaberta
O tapete de flores que cobre a terra
Absorvo a tranquilidade que desperta
Os sentidos numa nova descoberta.

O meu olhar estende-se na paisagem
A minha alma apega-se ao sossego
Retrato-me numa nova imagem
Encontro o prazer do aconchego.

Já não há sombra no meu caminho
Despedi-me do silêncio e do escuro
Enterrei o sentimento de desalinho
Parto à procura de um lugar seguro.

Hoje conheço os contornos deste lugar
Outrora um labirinto sem fim
Sinto leveza para receber e dar
Deixo o retrato que fizeram de mim.

Salto para a outra margem
Com vontade de vencer a emoção
Não levo angústia na bagagem
Apenas um secreto amor no coração.

Está terra será o meu novo lar
Aqui há um espaço íntimo e profundo
Um céu com estrelas a brilhar
Paz, amor e tudo o que me liga ao mundo.

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A noite acorda o dia
Ouço o barulho da chuva lá fora
Dentro de mim e agora
Sinto o cair de cada gota
Como se fosse uma nota
Tocada numa triste melodia.
A casa está vazia
Sufoco no ar que agonia
Por se a única companhia
Ouço o sussurro do vento
O bailar das folhas em movimento
Adormeço na rotina desta calmaria.
A noite acorda o dia…

No teu poema

alfazema

Deixa-me entrar no teu poema
Onde as palavras representam
As rimas adormecem e despertam
Onde tudo é permitido e sem problema.

Deixa-me fazer parte do teu universo
Dos versos que alimentam o sonho
E os deixam viver num planeta risonho
Onde o medo de viver habita submerso.

No teu poema o ritmo soa a melodia
Cada estrofe é uma sinfonia de arte
Transporta o amor para qualquer parte
As palavras estão cercadas de magia.

Quero ser o tema do teu poema
Planta-me num campo de alfazema
Cria-me no infinito da tua poesia
Liberta-me num poema da tua autoria.

Sem abrigo

escuro

Estava escuro
O olhar penetrava em vultos
Que vagueavam entre tumultos
Em sussurros mudos
Em gritos absurdos
Dispersos no olhar vazio e obscuro.
Estava frio
O rosto mergulhado em indiferença
Ausente de sentimento e de crença
Esfriavam-se os sentidos
Multiplicavam-se os ruídos
Num corpo desfeito e sem brio.
Sozinho e triste
Em gestos contidos
Em sonhos perdidos
Não encontra um amigo
Roubaram-lhe o abrigo
Em silêncio desiste…

Mundo Cruel

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Este mundo não é o meu
Mas dizem que é nosso
Como é frágil e como adoeceu
Quero voltar ao meu mundo
Mas dizem que não posso.
Vivemos em sociedade
Em países civilizados
Entre doutores, políticos e magistrados
Com excesso de poder e mediocridade.
Invadidos por culturas extremistas
Entre assassinos e também terroristas
Estão os que se nomeiam heróis por lutar
E por quantos mais inocentes matar.
Este mundo proíbe-nos de sonhar
Somos reféns da ignorância
Do fracasso e da intolerância
Das atitudes de repugnância
Manifestadas em atos de violência
Neste mundo de demência.

#PrayForParis

Lisboa

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Passeio entre as ruas estreitas da cidade
E os becos onde ecoa a conversa das vizinhas
Que debruçadas nas varandas coloridas das casinhas
Traduzem em gestos de lamúria e cumplicidade
O apego às origens, despidas de qualquer vaidade.
Desço a calçada rodeada de vielas
Enquanto sobe a encosta o elevador da Glória
Tem o miradouro como paragem obrigatória
Onde os artistas mostram as suas aguarelas
E os namorados dão as suas escapadelas!
O Tejo reflete o encanto da cidade
A vista perde-se em tamanha graciosidade
O pensamento rende-se à inspiração
Da paixão vivida pelos amantes
Que diante desta paisagem prenderam o seu coração.